Privatização da Copasa pode movimentar até R$ 10 bilhões
Privatização da Copasa pode movimentar até R$ 10 bi

A oferta total de ações da Copasa pode movimentar entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões, marcando a fase final da privatização da companhia de saneamento de Minas Gerais. Com a escolha da Equatorial como investidora estratégica, o processo, que começou em setembro do ano passado, se encaminha para o desfecho. A operação é a segunda maior do setor de saneamento com venda de ações em bolsa no Brasil, atrás apenas da Sabesp, privatizada em julho de 2024 por quase R$ 15 bilhões.

Desde que o então governador Romeu Zema (Novo) iniciou os trâmites legislativos para a privatização da Copasa, em setembro do ano passado, a ação mais que dobrou de valor, registrando alta de 108%. No fechamento desta quarta-feira, 3, a empresa valia R$ 22,8 bilhões, ante R$ 11,4 bilhões anteriormente. No próximo dia 11, será fechada a oferta de ações para o mercado, com a definição do preço de venda dos papéis.

Detalhes da oferta

A oferta total de ações pode movimentar de R$ 8 bilhões a R$ 10 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 6 bilhões ficarão com a Equatorial, por meio da Gerais Saneamento, que terá uma fatia de 30% da Copasa. O restante está sendo colocado esta semana no mercado. O vendedor de 100% das ações é o Estado de Minas Gerais, que reduzirá a participação atual de aproximadamente 50% na companhia para 5%.

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A Copasa fez uma série de apresentações para investidores, em que se apresentou como “uma das maiores oportunidades de expansão do saneamento no Brasil” e uma “das plataformas de saneamento de grande escala mais relevantes do Brasil ainda disponível para privatização”. A companhia atende em Minas perto de 12 milhões de clientes em 636 municípios, o que representa 75% do total do Estado. Os contratos da empresa com os municípios mineiros têm prazo médio de 28 anos, mas os de Belo Horizonte e Contagem, seus maiores contratos, vão até 2073.

Análise de mercado

O analista da Genial Investimentos, Vitor Sousa, avalia que o mercado já antecipou no preço da Copasa muito do potencial que a privatização pode desencadear. Ele segue animado com a empresa, mas pondera em relatório que uma valorização adicional das ações vai depender de fatores como a capacidade da companhia mineira para acelerar investimentos com retorno regulatório adequado e da materialização de ganhos operacionais acima dos níveis hoje embutidos no preço do papel.

Se atualmente a ação está na casa dos R$ 60, em 2023 estava ao redor dos R$ 15 e ainda em 2024 era negociada abaixo dos R$ 20. A oferta de ações está sendo coordenada pelo BTG Pactual (líder), Itaú BBA, Bank of America, Citi e UBS BB.

Revés e nova rodada

Prevista inicialmente para o primeiro trimestre de 2026, a oferta da Copasa só foi lançada em 21 de maio, após a aprovação do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). Poucos dias depois, porém, sofreu um novo revés. O governo mineiro decidiu cancelar a operação e preparar uma nova oferta. A decisão foi motivada pelo fato de os preços indicados pelos potenciais investidores de referência terem ficado abaixo das expectativas do Estado, segundo fontes ouvidas pela Coluna.

Na nova rodada de entrega de propostas, só a Equatorial participou. O consórcio formado por sócios da Aegea não entregou proposta. Inicialmente, diversos grupos chegaram a avaliar a disputa pela Copasa, mas a lista de potenciais interessados foi se reduzindo ao longo do processo. No final, o processo acabou sendo igual ao da Sabesp, onde apenas a Equatorial apresentou proposta para adquirir a participação de referência de 15% da companhia, em um investimento de cerca de R$ 7 bilhões.

Entre os nomes cogitados para a Copasa estava a própria Sabesp. A companhia, porém, decidiu não avançar para concentrar esforços no robusto plano de investimentos em curso em São Paulo. Com isso, restaram na disputa a Equatorial e a Livorno, veículo de investimentos controlado pelos atuais acionistas da Aegea. Atualmente, a Livorno tem como sócios a Equipav, o fundo soberano de Cingapura GIC e a Itaúsa.

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Contexto político

A privatização da Copasa era uma das principais promessas do governo de Zema. O processo, no entanto, acabou avançando apenas nos meses finais de sua gestão, antes de sua saída do cargo, em abril, para disputar a Presidência da República. O cronograma contrasta com o adotado em São Paulo. Na Sabesp, o governador Tarcísio de Freitas optou por conduzir a desestatização logo no início do mandato, colhendo os dividendos políticos da operação ao longo da gestão.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 04/06/2026, às 11:00. A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.