O paradoxo das crises corporativas em períodos de expansão econômica revela que o problema raramente está no mercado. Está nas decisões financeiras tomadas quando tudo parecia ir bem. Essa é a constatação de Valdoir Slapak, executivo especializado em reestruturação empresarial, que atua em casos de empresas brasileiras que quebram justamente em anos de crescimento econômico.
O paradoxo do crescimento
Segundo Slapak, a euforia dos bons momentos leva muitos gestores a relaxar com controles financeiros. "Quando a economia cresce, as receitas aumentam, mas os custos também disparam sem o devido planejamento. Muitas empresas se endividam para expandir, sem garantir fluxo de caixa para amortizar as dívidas", afirma o executivo.
Decisões financeiras equivocadas
O especialista aponta que o principal erro é confundir crescimento com rentabilidade. "Empresas quebram não por falta de vendas, mas por falta de capital de giro. Em anos de expansão, é comum adiar ajustes, acumular estoques e conceder prazos longos a clientes, comprometendo a liquidez", explica.
A abordagem de reestruturação
Valdoir Slapak recomenda que, mesmo em tempos de vacas gordas, as empresas mantenham disciplina financeira, com reservas de emergência e revisão constante de custos. "A reestruturação não é só para quem está quebrado; é preventiva. Empresas que sobrevivem a crises são as que se preparam na bonança", conclui.



