PicPay lucra R$ 169 milhões no 1º tri, alta de 92%, e supera projeções
PicPay lucra R$ 169 milhões no 1º tri, alta de 92%

O PicPay reportou nesta terça-feira lucro líquido ajustado de R$ 169 milhões no primeiro trimestre do ano, uma alta de 92% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado superou a previsão divulgada pela instituição, que esperava um lucro de cerca de R$ 155 milhões. A receita líquida do banco digital, controlado pelo Grupo J&F, aumentou 70%, para R$ 3,5 bilhões.

Desempenho financeiro e margem

A margem financeira somou R$ 1,7 bilhão, alta de 76%, na primeira divulgação de balanço desde que a empresa listou suas ações na Nasdaq, em janeiro. As projeções anteriores indicavam margem financeira ao redor de R$ 1,65 bilhão e receita de R$ 3,15 bilhões.

Rentabilidade e impacto do IPO

A rentabilidade sobre o patrimônio (ROE) ajustada ficou em 15,5%, ante 17,7% um ano antes e 24,4% no quarto trimestre do ano passado. Segundo o CEO Eduardo Chedid, o desempenho foi influenciado pelo IPO. "Houve um acréscimo enorme de capital… é um efeito matemático temporário. Nos próximos dois a três trimestres, conforme usamos esse capital para continuar crescendo produtos de alta rentabilidade de crédito, esse ROE volta a ficar acima de 20%", afirmou. "E a tendência é que, a partir daí, sempre caminhe para cima", acrescentou em entrevista à Reuters.

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Carteira de crédito e inadimplência

Ao final de março, a carteira total de crédito somava R$ 28 bilhões, avanço de 116% na comparação anual, acima do estimado (cerca de R$ 26,5 bilhões). O custo do risco ficou em 3,7%, em linha com a previsão. A inadimplência acima de 90 dias alcançou 8,9%, de 7,2% no quarto trimestre do ano passado e 4% um ano antes. A instituição destacou que, dado o atual estágio de crescimento, esse indicador não deve ser interpretado como deterioração da qualidade dos ativos. "É uma consequência natural do descasamento temporal inerente a uma carteira em rápida expansão", afirmou, ressaltando que as métricas de formação por estágio vêm melhorando consistentemente.

No primeiro trimestre, do total da carteira de crédito, 13% estava em Estágio 3 (instrumentos financeiros com problema de recuperação) e 7% em Estágio 2 (ativos com risco aumentado). No quarto trimestre, esses percentuais eram 12% e 7%, respectivamente.

Contas ativas e receita por cliente

O PicPay encerrou março com 44,3 milhões de contas ativas. A receita média por cliente ativo (ARPAC) atingiu R$ 80,7 no trimestre, crescimento de 55% ano a ano, enquanto o custo de servir ficou em R$ 20,30.

Projeções para o segundo trimestre

Para o segundo trimestre, o PicPay estima lucro líquido ajustado de R$ 245 milhões, com receita ao redor de R$ 3,6 bilhões e margem financeira em torno de R$ 1,9 bilhão. A carteira de crédito total é calculada em aproximadamente R$ 31,0 bilhões ao final de junho, com custo de risco entre 3,7% e 3,9%.

De acordo com o CEO, há um cenário macro mais desafiador, mas uma eventual deterioração em níveis de inadimplência seria gradativa. O PicPay, dada sua política de risco, tem agilidade para agir se necessário. No portfólio específico, ele afirmou que "não consegue ver" tal deterioração, mas ponderou que a instituição está monitorando "com bastante cuidado".

Impacto de decisão dos EUA

Questionado sobre potenciais reflexos da decisão dos Estados Unidos de designar as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como "Organizações Terroristas Estrangeiras", ele destacou que o PicPay já vem reforçando suas áreas de compliance. "Inicialmente, não esperamos fazer nada além do que vínhamos fazendo… já vínhamos fazendo bastante, aprimorando ao longo dos últimos anos", pontuou.

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