Mudança na diretoria da Pernambucanas
A Pernambucanas, tradicional rede varejista brasileira fundada em 1917, anunciou a nomeação de Carlos Marino como novo CEO e Eduardo Sampaio como novo diretor financeiro (CFO). Ambos são egressos do Grupo Pão de Açúcar (GPA), onde ocuparam cargos de liderança. As mudanças foram comunicadas ao mercado nesta quarta-feira, 29 de julho de 2026.
Carlos Marino substitui Sergio Borriello, que deixou o cargo em abril deste ano após três anos à frente da empresa. Já Eduardo Sampaio assume no lugar de Leandro Quirino, que também se desligou da companhia recentemente para buscar novos desafios. A empresa não divulgou os motivos das saídas, mas informou que os novos executivos têm ampla experiência no varejo alimentar e de moda.
Reinvenção necessária
A Pernambucanas, que já foi uma das maiores redes de lojas de departamento do país, busca se reinventar diante da concorrência digital. Fundada em 1917 em Recife, a empresa se expandiu para todo o Sudeste e Sul, mas perdeu espaço nas últimas décadas. A chegada de executivos com perfil de varejo alimentar pode indicar uma diversificação, como a venda de itens de mercearia ou a criação de um modelo de loja híbrido.
Trajetória dos novos executivos
Carlos Marino atuou no GPA por mais de 15 anos, onde foi diretor de operações e vice-presidente de varejo, responsável por mais de 200 lojas. Ele é formado em administração pela FGV e tem MBA no INSEAD. Eduardo Sampaio, por sua vez, foi controller e posteriormente diretor financeiro do GPA, com passagem anterior pelo Carrefour e pela consultoria KPMG. Ambos chegam à Pernambucanas com a missão de impulsionar a eficiência operacional e a rentabilidade.
“Estamos confiantes de que a experiência de Carlos e Eduardo será fundamental para os próximos passos da Pernambucanas”, afirmou o conselho de administração, em nota. “Eles chegam em um momento de transformação do varejo, e acreditamos que podem agregar valor significativo.”
Desafios da rede
A Pernambucanas opera atualmente 538 lojas espalhadas por São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. A rede é conhecida por seu foco em moda, casa e eletrodomésticos, mas tem enfrentado concorrência acirrada de grandes plataformas de e-commerce como Mercado Livre e Amazon, além de redes como Lojas Riachuelo e Marisa.
Em 2025, a empresa registrou receita líquida de R$ 3,2 bilhões, com ligeiro crescimento em relação ao ano anterior. No entanto, a margem operacional tem sido pressionada por custos logísticos e promoções. A empresa emprega mais de 12 mil funcionários e mantém um centro de distribuição em São Paulo.
Impacto no setor
A movimentação da Pernambucanas reflete uma tendência no varejo brasileiro de buscar talentos em outros segmentos para renovar a gestão. O GPA, controlado pelo grupo francês Casino, tem sido um celeiro de executivos para o setor. A troca de comando pode acelerar o plano de expansão digital da Pernambucanas, que já conta com vendas online e aplicativo próprio, mas ainda depende fortemente do canal físico.
De acordo com o comunicado, a empresa também anunciou a criação de um comitê estratégico para definir os rumos da companhia nos próximos cinco anos. Esse comitê será presidido por Carlos Marino e contará com a participação de membros do conselho e consultores externos. O novo CFO, Eduardo Sampaio, terá a responsabilidade de reestruturar a dívida da empresa, que somava R$ 1,5 bilhão ao final de 2025, e otimizar o capital de giro.
“A chegada dos novos executivos marca uma nova fase de modernização e eficiência operacional”, afirmou a empresa, em nota oficial. “Estamos confiantes de que a experiência de Carlos e Eduardo será fundamental para os próximos passos da Pernambucanas.”
O comitê estratégico deve apresentar um plano de negócios em até 90 dias, que poderá incluir fechamento de lojas menos rentáveis, investimentos em tecnologia e possíveis aquisições complementares. O mercado reagiu positivamente: embora a empresa seja de capital fechado, suas debêntures tiveram valorização secundária.
Com as mudanças, a Pernambucanas espera retomar o crescimento sustentável e fortalecer sua posição no mercado varejista brasileiro, que enfrenta desafios macroeconômicos como inflação e juros altos. A rede não descarta novas parcerias ou a entrada em novos segmentos, como o de serviços financeiros.



