Panobianco abre 10 novas unidades e planeja IPO; sócio revela trajetória
Panobianco abre 10 unidades e planeja IPO

No mês passado, a rede de academias Panobianco, de Campinas, abriu mais de 10 novas unidades. O negócio, que começou como um empreendimento familiar no interior de São Paulo, cresceu, profissionalizou-se e agora planeja um eventual IPO. Um dos responsáveis por esse sucesso é o empreendedor e executivo Evandro Caetano, sócio da rede.

Trajetória de Evandro Caetano: de vendedor a presidente da Roche

Caetano, que se autodenomina “caçador de bons negócios”, tem teses focadas em margens robustas e governança sólida. Sua carreira começou longe dos holofotes: vindo de uma família de classe média baixa de Piracicaba (SP), iniciou como vendedor no varejo de moda, na loja da M.Officer, onde aprendeu lições de vendas e resiliência. Foi na indústria farmacêutica que encontrou seu “trampolim”.

Ao ingressar na Roche como estagiário, adotou a filosofia “resultado blinda”: entregar números acima das expectativas para reduzir questionamentos e ganhar autonomia. A tática funcionou: em menos de uma década, saltou de estagiário a presidente da operação da Roche no México, liderando posteriormente a América Central e o Caribe. “Eu sabia que estava alugando meu intelecto para a Roche. Tinha certeza de que isso acabaria em algum momento”, reflete o empresário, destacando a importância de manter a consciência financeira no auge da carreira executiva.

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Do crachá ao risco do empreendedor

Em 2014, após seis anos como expatriado, Caetano decidiu encerrar o ciclo corporativo. O retorno ao Brasil foi motivado pela busca de qualidade de vida e raízes. Com reservas acumuladas, empreendeu em um setor que não conhecia: o automotivo. Comprou uma concessionária Yamaha falida em Piracicaba por R$ 200 mil. O choque de realidade foi imediato. “Eu era o ‘Evandro da Roche’, com portas abertas. De repente, virei o Evandro Caetano, um desconhecido”, relembra.

Durante quase uma década, o negócio exigiu aportes mensais e gestão rigorosa de caixa. A virada veio com o foco em peças — segmento de maior margem — e na profissionalização. A operação foi vendida ao Grupo Daruji por cerca de R$ 4 milhões, após gerar cerca de R$ 10 milhões em lucros ao longo do período. A experiência como franqueado trouxe um aprendizado central: para ele, o valor estava em ser o “dono da marca” (franqueador), e não apenas o operador (franqueado).

Entrada na Panobianco e expansão acelerada

Com esse olhar, aproximou-se da Panobianco. Após um ‘namoro’ de um ano e uma tentativa frustrada de aquisição pré-pandemia, entrou como sócio em 2021. Caetano trouxe governança: estruturação de RH, financeiro e jurídico. O resultado foi uma escala agressiva: a rede saltou de 30 para 400 unidades.

Segundo Caetano, a meta é inaugurar entre 50 e 100 unidades nos próximos três anos. A rede planeja um IPO, mas sem prazo definido.

Portfólio diversificado

Além da Panobianco, Caetano adquiriu em 2025 a Asteroide Seguros, corretora focada em grandes riscos, e mantém investimentos imobiliários no Brasil e nos Estados Unidos, além de uma clínica de radiologia. A Asteroide Seguros está começando uma rodada de M&As para ganhar massa crítica no mercado de seguros corporativos.

“Não tem milagre. O negócio é crescer passo a passo, baseado em muita disciplina. O que as pessoas veem hoje como sucesso é fruto de 14, 16 anos de trabalho”, conclui Caetano.

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