Em Cáceres, a 220 km de Cuiabá, o Remanso Fraterno João Gabriel funciona como uma 'creche para idosos', onde aposentados passam os dias desenvolvendo atividades culturais, oficinas e encontros que estimulam a convivência. A instituição sem fins lucrativos existe há mais de duas décadas.
Missão de combater a solidão
A presidente da instituição, Rosana Carneiro, contou ao g1 que a 'creche para aposentados' nasceu de um sonho familiar. Segundo ela, a missão da entidade é contribuir para a qualidade de vida dos idosos combatendo a solidão e o isolamento social. 'Uma das fundadoras cresceu ouvindo o pai falar sobre o desejo de ter uma chácara para acolher pessoas em situação de vulnerabilidade', disse.
Em 2004, junto a amigos, o propósito se tornou realidade e vem se consolidando como um polo de proteção e valorização da pessoa idosa, oferecendo atividades voltadas à convivência comunitária, cultura, saúde, cidadania e lazer.
Mais de 100 projetos e 300 idosos beneficiados
Rosana relatou que o Remanso Fraterno já desenvolveu mais de 100 projetos e beneficiou cerca de 300 idosos, em uma estrutura de oito espaços de convivência e uma Área de Preservação Permanente (APP).
O projeto recebe pessoas a partir dos 60 anos, mas Maria da Conceição Peres, de 66 anos, lembrou que chegou ao Remanso aos 57 anos, antes mesmo da idade mínima. Segundo ela, fazer parte da instituição melhorou a vida emocional. 'Eu gosto da costura, das brincadeiras, de todas as atividades feitas aqui. Fiz muitas amizades. É como se nós idosos virássemos crianças de novo', contou.
Relatos de superação e acolhimento
Isabel Solis, de 50 anos, entrou a convite da irmã e, apesar de também não ter 60 anos, encontrou ali um espaço de acolhimento. Ela informou que tinha depressão e que não dava conta de ficar perto das pessoas, mas no projeto aprendeu a socializar.
Alice do Espírito Santo Silva, de 61 anos, entrou a convite de amigos, e hoje o local se tornou a segunda casa dela. Divina Maria Perez, de 62 anos, e Maria Francisca Medeiros de Albuquerque, de 65 anos, também encontraram no projeto um recomeço. Divina relatou que após deixar o trabalho por questões de saúde, começou a frequentar o projeto e isso tem ajudado ela a não ficar parada. Maria disse que ficou por causa do aconchego e do acolhimento.
Coordenadora destaca bem-estar e confiança
Elicineia Aparecida Fortes, de 69 anos, coordenadora do projeto Reciclart, informou que enxerga o Remanso como um espaço de contribuição e de ajuda mútua. 'A possibilidade de fazer algo para alguém traz bem-estar e confiança. Estar aposentada é só um estado profissional, a vida ainda é palpitante', destacou.



