A Oceanpact Serviços, subsidiária integral da Oceanpact, anunciou nesta quarta-feira a aquisição da Dock Brasil por R$ 119 milhões. O negócio, que será pago em dinheiro, inclui a totalidade das ações da empresa de logística portuária e ambiental. A conclusão da transação está prevista para o quarto trimestre de 2026, sujeita a condições precedentes, como aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Detalhes da transação
O valor de R$ 119 milhões corresponde a um múltiplo de 6,5 vezes o EBITDA da Dock Brasil em 2025, segundo comunicado ao mercado. A aquisição será financiada com recursos próprios da Oceanpact, que encerrou o primeiro semestre com caixa de R$ 280 milhões. A Dock Brasil registrou receita líquida de R$ 95 milhões em 2025, com crescimento de 18% sobre o ano anterior.
“Com essa compra, a Oceanpact avança na vertical de logística, complementando os serviços de resposta a emergências ambientais e gerenciamento de resíduos”, afirmou o CEO da Oceanpact, Flávio Andrade, em nota. A Dock Brasil atua nos portos de Santos, Rio de Janeiro, Paranaguá e Suape, oferecendo serviços de armazenagem, movimentação de cargas e gestão de resíduos.
Sinergias esperadas
A expectativa é de que a integração gere sinergias operacionais de cerca de R$ 15 milhões anuais, principalmente pela otimização de rotas e compartilhamento de bases logísticas. A Oceanpact também espera expandir a base de clientes da Dock Brasil, que atende 40 terminais portuários. A empresa adquirida manterá sua marca e sua equipe, com cerca de 300 funcionários.
A aquisição ocorre em um momento de consolidação do setor portuário brasileiro, que movimentou 1,2 bilhão de toneladas em 2025. A Oceanpact, que já possui contratos com a Petrobras e outras grandes petroleiras, vê na Dock Brasil uma porta de entrada para o segmento de cargas gerais e granéis sólidos.
Reação do mercado
As ações da Oceanpact (OPAC3) fecharam o pregão em alta de 2,3%, cotadas a R$ 18,40, enquanto o Ibovespa subiu 0,5%. Analistas do BTG Pactual consideraram o negócio positivo, destacando o preço justo e o potencial de crescimento. “A Dock Brasil tem margens EBITDA de 20% e forte geração de caixa, o que deve contribuir para os resultados da Oceanpact já em 2027”, escreveram em relatório.
O presidente da Dock Brasil, Carlos Siqueira, afirmou que a união com a Oceanpact permitirá acelerar investimentos em tecnologia e sustentabilidade. “Vamos ampliar nossa capacidade de tratamento de resíduos e implementar sistemas de rastreamento em tempo real”, disse.
Contexto do setor
O mercado de logística portuária no Brasil tem sido marcado por fusões e aquisições nos últimos anos. Em 2025, o volume total de transações no setor superou R$ 5 bilhões, impulsionado pela necessidade de modernização e eficiência. A Oceanpact, que tem receita anual de R$ 1,2 bilhão, busca reduzir sua dependência do segmento de resposta a emergências, que representou 60% do faturamento em 2025.
Com a Dock Brasil, a empresa pretende equilibrar o portfólio, elevando a participação da logística de 15% para 25% da receita total. A expectativa é de que a aquisição adicione R$ 30 milhões ao EBITDA da Oceanpact em 2027, considerando as sinergias.
Próximos passos
A Oceanpact já iniciou o processo de integração das operações, com a criação de um comitê conjunto para alinhar sistemas e processos. A empresa também estuda novas aquisições de menor porte, focadas em nichos regionais. O CFO da Oceanpact, Marcos Pereira, afirmou que o endividamento líquido sobre EBITDA ficará em 0,8 vez após a compra, mantendo a disciplina financeira.
A Dock Brasil continuará operando de forma independente até a aprovação regulatória, prevista para dezembro. Caso o Cade imponha condições, a Oceanpact poderá ajustar os termos. Por enquanto, as duas empresas seguem com seus planos de negócio normais.



