A Ânima Educação anunciou nesta quinta-feira a recompra do controle da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU) por R$ 410 milhões. A operação encerra um período de cinco anos em que a instituição de ensino superior paulistana esteve sob a gestão da H.I.G. Capital, fundo de private equity que adquiriu a FMU em 2021 por cerca de R$ 300 milhões.
Detalhes da transação
O pagamento será feito em duas parcelas: R$ 200 milhões à vista e o restante em 2027, corrigido pelo CDI. A Ânima utilizará recursos próprios e linhas de crédito para honrar o compromisso. Com a recompra, a FMU volta a integrar o portfólio da holding, que já controla outras marcas como Universidade São Judas Tadeu e Unisociesc.
Segundo comunicado oficial, a operação foi aprovada pelo Conselho de Administração da Ânima e ainda depende de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A expectativa é que o negócio seja concluído até o fim do terceiro trimestre de 2026.
Contexto da venda original
A FMU foi vendida pela Ânima à H.I.G. em 2021 por R$ 300 milhões, em meio a um processo de reestruturação financeira. Na época, a holding enfrentava dívidas elevadas e precisou alienar ativos para reduzir alavancagem. A instituição, fundada em 1968, é uma das mais tradicionais do ensino superior privado de São Paulo, com cerca de 20 mil alunos matriculados em cursos presenciais e a distância.
“A FMU sempre foi um ativo estratégico para a Ânima. Recuperá-la agora, em condições financeiras mais saudáveis, reforça nossa posição no mercado paulistano e nossa capacidade de gerar sinergias”, afirmou o presidente da Ânima, Marcelo Bueno, em nota.
Impactos e perspectivas
Com a recompra, a Ânima projeta um aumento de 15% na receita líquida consolidada, que somou R$ 2,8 bilhões em 2025. A FMU contribuirá com aproximadamente R$ 400 milhões anuais, de acordo com estimativas da companhia. A operação também deve gerar economia de custos operacionais da ordem de R$ 30 milhões por ano, com a integração de plataformas tecnológicas e administrativas.
Analistas do setor avaliam que o movimento da Ânima reflete a consolidação do mercado de ensino superior, que tem visto grupos educacionais readquirirem ativos vendidos durante a crise de 2015-2017. “A volta da FMU ao grupo Ânima é um sinal de que a empresa superou a fase de ajuste fiscal e agora busca crescimento inorgânico”, comentou a analista da XP Investimentos, Camila Oliveira.
Reação do mercado
As ações da Ânima Educação (ANIM3) fecharam em alta de 2,3% na B3 nesta quinta-feira, cotadas a R$ 18,50. O mercado recebeu bem a notícia, embora alguns investidores tenham manifestado preocupação com o nível de endividamento da companhia, que deve subir para 2,5 vezes o EBITDA após a aquisição. A empresa, no entanto, afirma que a geração de caixa da FMU permitirá reduzir a alavancagem para 1,8 vez em até 18 meses.



