A Ânima Educação, controladora do IBMR e de outras instituições de ensino superior, anunciou a compra do Centro Universitário FMU por R$ 410 milhões. O negócio foi fechado com a gestora de private equity Pátria Investimentos, que detinha o controle da FMU desde 2018.
Detalhes da transação
A aquisição inclui a marca FMU e suas operações, que contam com 51 mil alunos matriculados, distribuídos em cursos presenciais e semipresenciais. A FMU possui unidades na capital paulista, principalmente na Zona Norte, e também oferece ensino a distância (EAD). A dívida da FMU foi reestruturada antes do fechamento do negócio, o que, segundo a Ânima, reduz riscos financeiros.
O valor de R$ 410 milhões equivale a cerca de 8 vezes o EBITDA recorrente da FMU, múltiplo considerado elevado por analistas de mercado. No entanto, a Ânima enxerga potencial de “destravar valor” por meio de sinergias operacionais, expansão da modalidade semipresencial e otimização de custos.
Estratégia de expansão em São Paulo
A compra da FMU fortalece a presença da Ânima no estado de São Paulo, o maior mercado de educação superior do país. Atualmente, a Ânima já atua no estado com as marcas IBMR e Universidade São Judas Tadeu, mas a FMU agrega capilaridade e uma base de alunos relevante na capital paulista.
A empresa pretende usar a estrutura da FMU para ampliar a oferta de cursos semipresenciais, modelo que combina aulas online com encontros presenciais esporádicos. Esse formato tem ganhado tração no Brasil, especialmente após a pandemia, e oferece margens mais altas que o presencial tradicional.
Impacto financeiro e alavancagem
O pagamento será feito parte em dinheiro e parte em ações da Ânima, conforme fontes próximas à negociação. A transação aumentará a alavancagem financeira da companhia, que já registrava dívida líquida de R$ 1,2 bilhão ao final de 2025. A Ânima espera que a FMU contribua com receita adicional de R$ 300 milhões anuais e gere economia de custos de cerca de R$ 50 milhões por ano, a partir de sinergias administrativas e de marketing.
“A FMU é uma instituição com marca forte em São Paulo e um portfólio de cursos alinhado às demandas do mercado. Estamos confiantes de que essa aquisição criará valor para nossos acionistas e alunos”, afirmou o CEO da Ânima, em comunicado oficial.
Reação do mercado
Analistas do setor educacional questionaram o preço pago, considerando o momento de concorrência acirrada e margens apertadas no ensino superior brasileiro. A ação da Ânima fechou em queda de 3,5% no dia do anúncio, refletindo a cautela dos investidores. Por outro lado, a Pátria Investimentos, que adquiriu a FMU em 2018 por cerca de R$ 200 milhões, obteve um retorno expressivo sobre o investimento.
A Ânima projeta que a FMU atingirá crescimento de receita de dois dígitos nos próximos três anos, impulsionado pela expansão do semipresencial e pela captação de novos alunos. A empresa também planeja investir em tecnologia e marketing para fortalecer a marca FMU.



