Missão da NASA desvia asteroide com sucesso em teste histórico
Missão da NASA desvia asteroide com sucesso em teste

Há 66 milhões de anos, um asteroide de aproximadamente 1 km de diâmetro colidiu com a Terra, causando a extinção dos dinossauros. Para evitar que um evento similar ameace a humanidade, a NASA criou o Escritório de Coordenação de Defesa Planetária, que monitora asteroides potencialmente perigosos. Embora saibamos que nos próximos cem anos nenhum asteroide capaz de causar um desastre global nos atingirá, a lista de objetos menores, que podem provocar danos regionais, ainda está incompleta. Mais importante do que prever um impacto é ser capaz de evitá-lo. Foi com esse objetivo que a NASA desenvolveu e testou o programa Double Asteroid Redirection Test (DART).

O alvo: sistema binário de asteroides

Para o teste, os cientistas selecionaram um asteroide binário localizado a 11 milhões de quilômetros da Terra. O sistema é composto por Didymos, um corpo de 780 metros de diâmetro e 523 bilhões de quilos, e Dimorphos, uma rocha menor de 150 metros de diâmetro e 4,8 bilhões de quilos, que orbita Didymos. O objetivo era enviar uma sonda de 500 quilos (do tamanho de um frigobar) a uma velocidade de 24 mil km/h para colidir com Dimorphos exatamente no centro. O impacto deveria alterar a órbita da rocha menor, modificando assim a trajetória do par.

Missão e impacto

A sonda, equipada apenas com uma câmera, um sistema de navegação GPS, pequenos foguetes de correção de trajetória e um rádio para enviar imagens, foi lançada em 24 de novembro de 2021. Após nove meses de viagem (140 milhões de quilômetros), a câmera começou a fotografar o alvo três meses antes da chegada. Quinze dias antes do impacto, a sonda liberou um pequeno satélite que ficou para trás para filmar o evento. Como a distância impossibilitava o controle em tempo real (os sinais levam muito tempo para chegar), quatro horas antes do impacto, a 89 mil km do alvo, o computador de bordo assumiu o controle. A última imagem, enviada menos de um segundo antes da colisão, mostrou o local exato do impacto. O satélite registrou uma cauda de poeira com milhares de quilômetros de extensão. O impacto ocorreu em 26 de setembro de 2022, às 23h14 (horário de Brasília).

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Resultados comprovam sucesso

Na semana passada, cinco artigos científicos publicados na revista Nature confirmaram o sucesso da missão. Antes do impacto, Dimorphos levava 12 horas para completar uma órbita ao redor de Didymos. O objetivo do projeto era reduzir esse período em pelo menos 7 minutos. Os estudos mostraram que o tempo orbital foi reduzido em 33 minutos, e o impacto ocorreu a apenas 25 metros do centro de Dimorphos. Embora a mudança na trajetória geral do asteroide seja pequena demais para ser medida diretamente, ela pode ser calculada a partir da alteração orbital da rocha menor.

Segundo os pesquisadores, esse resultado demonstra que a humanidade possui tecnologia suficiente para se proteger de asteroides que ameacem o planeta. No entanto, os mesmos cientistas alertam que, apesar desse enorme feito tecnológico, a humanidade tem se mostrado incapaz de evitar a destruição gradual do planeta pelo aquecimento global e outras mudanças ambientais. "Ou seja, vamos acabar desaparecendo por nossa culpa e não por culpa de um asteroide", conclui um dos estudos.

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