O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro registrou queda de 0,27 pontos percentuais na bolsa de Dalian nesta quarta-feira, fechando a 798 iuanes por tonelada. O movimento ocorre em meio a sinais de arrefecimento da demanda siderúrgica na China, maior consumidora global da commodity.
Demanda enfraquecida pressiona preços
De acordo com analistas do setor, a desaceleração da atividade industrial chinesa e as restrições ambientais impostas a usinas siderúrgicas reduziram a procura por minério de ferro. "A demanda fraca é o principal fator por trás da queda nos preços", afirmou Wang Lei, analista da Shanghai Steel Home. "Os estoques nos portos chineses continuam elevados, o que pressiona ainda mais as cotações."
Além disso, a produção de aço na China caiu 2,5% em junho na comparação anual, segundo dados oficiais divulgados na semana passada. Essa redução na produção reflete diretamente na demanda por minério de ferro.
Impacto no mercado global
A queda nos preços do minério de ferro afeta diretamente as mineradoras brasileiras, como Vale, que dependem das exportações para a China. Em 2025, a Vale respondeu por cerca de 30% das importações chinesas de minério de ferro. Com a redução dos preços, a receita das empresas pode ser impactada negativamente.
"Esperamos que os preços se mantenham pressionados no curto prazo, mas a médio prazo a demanda pode se recuperar com estímulos do governo chinês", avaliou Pedro Alves, analista do banco BTG Pactual.
Perspectivas para o setor
O mercado acompanha de perto as decisões do governo chinês em relação a novos pacotes de estímulo econômico. Caso a China anuncie medidas para impulsionar a infraestrutura e a construção civil, a demanda por aço e, consequentemente, por minério de ferro pode aumentar.
"A volatilidade deve continuar nas próximas semanas, com os investidores atentos aos indicadores econômicos chineses", completou Wang Lei.
A queda de 0,27 pontos percentuais na bolsa de Dalian pode parecer modesta, mas reflete uma tendência mais ampla de baixa. Desde o pico de maio, os contratos futuros já acumulam perda de cerca de 5%.



