Um julgamento iniciado nesta semana no Tennessee, Estados Unidos, coloca a Meta Platforms Inc. no centro de alegações de que o Instagram foi deliberadamente projetado para ser viciante, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. A ação, movida por procuradores-gerais de vários estados americanos, argumenta que a empresa violou leis de proteção ao consumidor ao ocultar os riscos associados ao uso da plataforma.
Ações judiciais e acusações
O processo, que reúne queixas de mais de 30 estados, alega que a Meta sabia dos potenciais danos à saúde mental causados pelo Instagram, mas optou por não divulgar essas informações. Os demandantes afirmam que a empresa priorizou o lucro em detrimento do bem-estar dos usuários, utilizando algoritmos que incentivam o uso prolongado e a comparação social.
Segundo a queixa, o Instagram foi projetado com recursos como notificações push, rolagem infinita e algoritmos de recomendação que maximizam o tempo gasto na plataforma. Esses elementos, segundo os procuradores, criam um ciclo de dependência semelhante ao de substâncias viciantes.
Defesa da Meta
A Meta, por sua vez, nega as acusações. Em comunicado, a empresa afirmou que o Instagram oferece ferramentas para que os usuários controlem seu tempo na plataforma, como limites de uso e lembretes de pausa. “Estamos comprometidos com a segurança dos jovens e investimos em tecnologias para promover experiências positivas”, disse um porta-voz da Meta.
A defesa também argumenta que não há evidências científicas conclusivas que liguem o uso do Instagram a danos à saúde mental. A empresa destaca que muitos jovens relatam benefícios, como conexão com amigos e acesso a comunidades de apoio.
Impacto potencial do julgamento
O caso é um dos maiores já movidos contra uma empresa de tecnologia sob a alegação de vício em redes sociais. Se a Meta for considerada responsável, o julgamento pode estabelecer um precedente para ações semelhantes contra outras plataformas, como TikTok e Snapchat.
Especialistas jurídicos apontam que o resultado pode influenciar futuras regulamentações sobre o design de produtos digitais. “Este caso testa os limites da responsabilidade das empresas de tecnologia pelos efeitos de seus produtos”, afirmou a professora de direito da Universidade de Harvard, Emily Berman, citada no processo.
Contexto mais amplo
As alegações contra a Meta fazem parte de um movimento crescente de ações judiciais e investigações sobre o impacto das redes sociais na saúde mental. Em 2021, documentos internos vazados pela ex-funcionária Frances Haugen revelaram que a empresa tinha conhecimento de que o Instagram poderia prejudicar a saúde mental de adolescentes, especialmente meninas.
Desde então, diversos estados americanos abriram investigações e processos. O julgamento no Tennessee é um dos primeiros a ir a tribunal, e seu desfecho pode acelerar mudanças na forma como as plataformas são projetadas.



