Em meio a um cenário econômico cada vez mais desafiador na China, a Mercedes-Benz anunciou nesta terça-feira a redução de sua projeção de vendas para o ano fiscal de 2026. A montadora alemã agora espera comercializar cerca de 2,4 milhões de veículos globalmente, uma queda de 15% em relação à estimativa anterior de 2,8 milhões. O principal motivo, segundo comunicado oficial, é o agravamento das condições no mercado chinês, onde as vendas da marca despencaram 22% no primeiro semestre.
Desempenho na China piora apesar de incentivos
A China, maior mercado automotivo do mundo, responde por aproximadamente 35% das vendas globais da Mercedes-Benz. No entanto, a desaceleração econômica, combinada com a intensa concorrência de fabricantes locais de veículos elétricos como BYD e Nio, tem pressionado as margens da empresa. "O mercado chinês está passando por uma transformação sem precedentes, e estamos ajustando nossa estratégia para proteger nossa rentabilidade", afirmou o CEO da Mercedes-Benz, Ola Källenius, em teleconferência com investidores.
Impacto nos lucros e cortes de custos
A revisão para baixo ocorre após a empresa registrar uma queda de 18% no lucro operacional do segundo trimestre, para 3,2 bilhões de euros. Para conter os danos, a Mercedes anunciou um pacote de cortes de custos que inclui a redução de 10% da força de trabalho em suas fábricas na China e a reavaliação de investimentos em novas linhas de produção. Analistas do Deutsche Bank alertam que a situação pode se agravar se a guerra de preços no segmento de elétricos continuar.
Concorrência local e mudanças de hábitos
Além da competição, a Mercedes enfrenta uma mudança nos hábitos dos consumidores chineses, que têm preferido modelos elétricos de marcas nacionais, mais acessíveis e com tecnologia avançada. Dados da Associação de Fabricantes de Automóveis da China mostram que as vendas de veículos elétricos cresceram 35% no primeiro semestre, enquanto as de luxo a gasolina caíram 12%. A Mercedes respondeu acelerando o lançamento de seu SUV elétrico EQS, mas as vendas ainda estão aquém do esperado.
Perspectivas para o segundo semestre
Para o restante do ano, a Mercedes espera que as vendas na China se estabilizem, mas não prevê recuperação significativa. "Estamos preparados para um mercado mais fraco e continuaremos a ajustar nossa produção de acordo", disse Källenius. A montadora também planeja expandir suas operações de serviços financeiros na China para atrair clientes com financiamento mais atrativo. Enquanto isso, ações da Mercedes caíram 4,5% na Bolsa de Frankfurt após o anúncio.



