O mercado de escritórios de alto padrão na cidade de São Paulo está prestes a registrar em 2026 o maior volume de entregas dos últimos dez anos. De acordo com levantamento da consultoria Binswanger Brazil, até 327 mil metros quadrados de novas lajes corporativas poderão ser entregues na capital paulista até o fim do ano, desde que todos os empreendimentos previstos cumpram seus cronogramas.
Expansão recorde e contraste com 2025
O volume previsto para 2026 representa uma forte aceleração em relação ao ano anterior. Em 2025, apenas 58 mil metros quadrados chegaram ao mercado, o menor patamar dos últimos cinco anos. Já no primeiro trimestre de 2026, as entregas somaram cerca de 26 mil metros quadrados, distribuídos entre as regiões da Faria Lima, Berrini e Avenida Paulista.
Segundo a Binswanger, a absorção líquida — diferença entre novas locações e devoluções de áreas — vem registrando média trimestral de 72 mil metros quadrados. Apenas no primeiro trimestre de 2026, o indicador alcançou 75 mil metros quadrados, sinalizando demanda aquecida.
Vacância em baixa e mercado favorável aos proprietários
Apesar do avanço da oferta, o mercado segue favorável aos proprietários. A taxa de vacância atingiu 12,8%, o menor nível dos últimos anos. Parte relevante dos novos empreendimentos já conta com áreas pré-locadas antes mesmo da conclusão das obras. Pinheiros exemplifica esse movimento: a região deve concentrar aproximadamente 91 mil metros quadrados das entregas previstas para 2026, o equivalente a 27% do total da cidade, mas praticamente todo esse estoque já foi absorvido antecipadamente.
Entre os empreendimentos previstos para 2026, destacam-se o Biosquare (39.229 m², classe A+ em Pinheiros), o Esther Towers (45.387 m², classe A+ no Chucri Zaidan) e o Alto das Nações, que soma diversas torres corporativas classe A+ na Chácara Santo Antônio, totalizando mais de 98 mil metros quadrados.
Locacões de destaque e tendências
As maiores locações do período ocorreram em imóveis recém-entregues ou em espaços devolvidos por antigos ocupantes. Entre os destaques estão a locação de quase 13 mil metros quadrados pela Uber no edifício JK Square e a ocupação de mais de 7 mil metros quadrados pela Shopee no B32.
Segundo a consultoria, a maior procura por escritórios está relacionada tanto à retomada do trabalho presencial quanto ao crescimento das empresas. Ao mesmo tempo, a baixa disponibilidade de grandes lajes corporativas tem levado diversas companhias a alugarem áreas menores, especialmente na Zona Centralizada.
Depois de um ciclo de forte expansão entre 2021 e 2024, quando cerca de 768 mil metros quadrados de novos escritórios foram entregues em São Paulo, o mercado vive atualmente uma fase de absorção acelerada dos espaços disponíveis. A tendência, de acordo com a Binswanger, é de continuidade da valorização dos aluguéis, especialmente se parte das entregas previstas para 2026 acabar sendo postergada para 2027.



