Marriott tem 2º tri fraco por conflito no Oriente Médio
Marriott tem 2º tri fraco por conflito no Oriente Médio

A Marriott International divulgou seus resultados financeiros do segundo trimestre de 2026, que foram significativamente impactados pelo conflito em curso no Oriente Médio. A empresa registrou uma queda no lucro líquido e na receita por quarto disponível (RevPAR), refletindo a redução nas viagens e no turismo na região.

Desempenho financeiro abaixo do esperado

No período de abril a junho, o lucro líquido da Marriott atingiu US$ 620 milhões, uma queda de 12% em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, quando a empresa havia reportado US$ 705 milhões. A receita total também sofreu impacto, alcançando US$ 6,2 bilhões, abaixo das expectativas dos analistas, que projetavam US$ 6,4 bilhões.

O RevPAR global, uma métrica-chave para o setor hoteleiro, caiu 3,4% no trimestre, puxado principalmente pela região do Oriente Médio e África, onde o RevPAR despencou 18,5%. O conflito na região, que se intensificou nos últimos meses, afastou turistas e viajantes de negócios, afetando diretamente as operações da empresa em países como Israel, Egito e Jordânia.

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Impacto regional e estratégias de mitigação

De acordo com o CEO da Marriott, Anthony Capuano, a empresa está monitorando de perto a situação e implementando medidas para mitigar os efeitos negativos. "Estamos profundamente preocupados com o impacto humanitário do conflito e, ao mesmo tempo, trabalhamos para apoiar nossos colaboradores e hóspedes na região", afirmou Capuano em comunicado oficial.

Além do Oriente Médio, a empresa também observou uma desaceleração no crescimento em outras regiões, como Europa e Ásia, embora em menor escala. O RevPAR na Europa cresceu apenas 1,2%, enquanto na Ásia-Pacífico o aumento foi de 2,8%, ambos abaixo das metas internas da companhia.

Em resposta, a Marriott anunciou um plano de contenção de custos que inclui a renegociação de contratos com fornecedores e a otimização de operações em propriedades menos rentáveis. A empresa também está intensificando suas estratégias de marketing para atrair viajantes domésticos e de curta distância, que têm se mostrado mais resilientes durante crises geopolíticas.

Perspectivas para o restante do ano

A Marriott revisou suas projeções para o ano fiscal de 2026, esperando agora um lucro por ação (EPS) ajustado entre US$ 8,20 e US$ 8,40, abaixo da faixa anterior de US$ 8,50 a US$ 8,70. A empresa também reduziu a previsão de crescimento do RevPAR global para o ano, de 3% a 5% para 1% a 2%.

Analistas do setor apontam que a recuperação dependerá diretamente da resolução do conflito. "Se a situação no Oriente Médio não melhorar, a Marriott poderá enfrentar desafios ainda maiores no terceiro trimestre, que tradicionalmente é um período forte para viagens", comentou Michael Bellisario, analista da Baird.

Apesar das dificuldades, a Marriott continua expandindo sua presença global, com a abertura de 80 novas propriedades no segundo trimestre, totalizando mais de 9.000 hotéis em todo o mundo. A empresa também anunciou um aumento de 10% no dividendo trimestral, sinalizando confiança em sua capacidade de gerar fluxo de caixa no longo prazo.

Reação do mercado e próximos passos

As ações da Marriott caíram 4,5% na bolsa de Nova York após a divulgação dos resultados, refletindo a decepção dos investidores com as perspectivas para o restante do ano. No entanto, alguns analistas veem a queda como uma oportunidade de compra, destacando a resiliência da marca e a diversificação geográfica da empresa.

"A Marriott tem um portfólio robusto e uma forte posição de mercado. Os impactos do conflito são temporários e a empresa está bem preparada para se recuperar quando a estabilidade retornar", avaliou Amanda Sweeting, analista da Morningstar.

Para o terceiro trimestre, a empresa espera que o RevPAR global permaneça sob pressão, mas prevê uma melhora gradual no quarto trimestre, caso não haja uma escalada adicional do conflito. A Marriott também está investindo em tecnologia e em experiências personalizadas para fidelizar clientes, visando acelerar a recuperação quando a demanda voltar a crescer.

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