A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) divulgou nesta quarta-feira que as lojas do setor estão abrindo as portas com uma oferta de promoções 35% maior do que no mesmo período do ano passado. O dado faz parte de uma pesquisa trimestral realizada pela entidade com 1.200 redes de supermercados em todo o país.
Crise econômica impulsiona estratégia de descontos
De acordo com o presidente da Abras, João Carlos de Oliveira, a alta nas promoções é uma resposta direta à queda no poder de compra dos brasileiros. “Estamos vendo um movimento sem precedentes. Os supermercados estão reduzindo margens para manter o fluxo de clientes”, afirmou Oliveira. A pesquisa aponta que 78% das lojas consultadas aumentaram a frequência de ofertas nos últimos três meses.
Entre os itens com maior desconto estão alimentos básicos, como arroz, feijão e óleo de soja, com reduções médias de 12% a 18% em relação ao preço regular. Produtos de limpeza e higiene pessoal também aparecem com promoções expressivas, algumas chegando a 25% de desconto.
Impacto nas vendas e no consumidor
A estratégia parece estar surtindo efeito: as vendas do setor cresceram 4,2% em junho na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados da Abras. No entanto, o ticket médio caiu 6,5%, indicando que os consumidores estão comprando itens mais baratos ou em menor quantidade. “O cliente está mais seletivo e busca ofertas antes de decidir a compra”, explicou o economista da consultoria GS&M, Marcos Pereira.
Para famílias de baixa renda, as promoções são fundamentais para garantir a alimentação. “Sem os descontos, não conseguiria comprar carne e leite todo mês”, disse a dona de casa Maria Aparecida Silva, de 34 anos, moradora de São Paulo.
Perspectivas para o segundo semestre
A expectativa da Abras é que o ritmo de promoções se mantenha até o final do ano, especialmente com a proximidade das festas de fim de ano. “Os supermercados vão continuar usando as ofertas como principal ferramenta de atração”, afirmou Oliveira. No entanto, a entidade alerta que a rentabilidade do setor pode ser afetada se os descontos forem mantidos por muito tempo.
Segundo a pesquisa, 62% dos supermercados já afirmam estar operando com margens abaixo do ideal. Isso pode levar a um reajuste nos preços no último trimestre, caso a inflação de alimentos continue pressionando os custos.



