Kering supera expectativas com alta de receitas no 2º trimestre
Kering supera expectativas com alta de receitas no 2º trimestre

A Kering, conglomerado francês de luxo dono da Gucci, Saint Laurent, Bottega Veneta e outras marcas, reportou receitas no segundo trimestre de 2026 que superaram as expectativas de mercado. O resultado reflete a retomada da demanda na Ásia e a eficácia das estratégias de reposicionamento da Gucci, que vinha enfrentando desafios nos trimestres anteriores.

Desempenho acima das projeções

As vendas do grupo totalizaram €4,8 bilhões no período, alta de 8% em base comparável ante o mesmo trimestre de 2025. O número superou a estimativa média dos analistas consultados pela FactSet, que projetavam €4,65 bilhões. A Gucci, principal marca do grupo, registrou crescimento de 6% nas vendas comparáveis, após ajustes cambiais, impulsionada pela coleção de outono e pela forte demanda na China e no Japão. Na China continental, as vendas da Gucci cresceram 12% no trimestre, beneficiando-se de uma base de comparação mais fraca e do apelo das novas coleções. No Japão, o aumento foi de 15%, impulsionado pelo turismo local e pela depreciação do iene.

Outras marcas do portfólio também contribuíram de forma significativa. A Saint Laurent apresentou alta de 12% nas vendas comparáveis, com destaque para a linha de bolsas e calçados. A Bottega Veneta avançou 9%, puxada pela forte aceitação da coleção assinada pelo diretor criativo Matthieu Blazy. O segmento de joias e relógios cresceu 7%, liderado pela Boucheron, que expandiu sua presença no Oriente Médio. Já a Balenciaga, embora ainda enfrentando volatilidade, registrou crescimento de 4% nas vendas comparáveis, com recuperação gradual na América do Norte.

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Impacto na rentabilidade e perspectivas

A Kering manteve sua orientação para o ano fiscal de 2026, esperando crescimento de receita entre 6% e 8% em base orgânica. O lucro operacional recorrente do segundo trimestre ficou em €1,2 bilhão, com margem de 25%, ligeiramente acima do esperado. A empresa destacou a disciplina de custos e a melhora do mix de produtos, com maior participação de itens de alto valor agregado, como bolsas de couro e joias finas. Segundo o relatório de resultados, as despesas operacionais cresceram apenas 3% no trimestre, bem abaixo do crescimento da receita, evidenciando ganhos de eficiência.

O mercado reagiu positivamente ao balanço. As ações da Kering subiram 3,2% na Bolsa de Paris, negociadas a €340 na manhã seguinte ao anúncio. Analistas do Citi afirmaram que os resultados mostram que a Kering está no caminho certo para recuperar participação de mercado no segmento de luxo, especialmente após a reorganização da Gucci sob a liderança do CEO Jean-François Palus. No entanto, alertaram para riscos macroeconômicos, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, onde o consumo de luxo ainda enfrenta pressões de inflação e juros altos. Na Europa, as vendas do grupo caíram 2% no trimestre, refletindo a menor demanda de turistas e o consumidor local cauteloso. Nas Américas, o crescimento foi marginal, de 1%, com a Gucci perdendo espaço para concorrentes como a Prada e a Louis Vuitton.

Desempenho regional e canais de venda

Por região, a Ásia-Pacífico (excluindo Japão) foi o destaque, com crescimento de 14% nas vendas comparáveis, respondendo por 38% da receita total do grupo. O Japão, por sua vez, representou 9% das vendas, com alta de 15%. A região do Oriente Médio e África também mostrou vigor, com avanço de 11%. Já a Europa (incluindo Reino Unido) registrou leve queda de 2%, enquanto as Américas cresceram apenas 1%. O canal de varejo direto (lojas próprias e e-commerce) cresceu 9% no trimestre, impulsionado pelo aumento do tráfego nas lojas físicas e pela expansão da plataforma digital. O atacado, que inclui lojas de departamento e multimarcas, caiu 1%, em linha com a estratégia do grupo de controlar melhor a distribuição e a imagem das marcas.

O e-commerce próprio da Kering, incluindo os sites das marcas e parcerias com plataformas como Farfetch e Mytheresa, cresceu 18% no trimestre, alcançando 15% das vendas totais. A empresa investiu em inteligência artificial para personalização da experiência de compra e em logística para entregas mais rápidas, especialmente na Ásia.

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Com o balanço do segundo trimestre, a Kering reafirma sua posição como um dos maiores grupos de luxo do mundo, com receita acumulada no primeiro semestre de 2026 de €9,2 bilhões, alta de 7% na comparação anual. O lucro líquido semestral atingiu €1,8 bilhão, com margem líquida de 19,6%. A empresa manteve sua orientação de margem operacional para o ano entre 24% e 25%, e planeja continuar investindo em marketing e abertura de lojas em mercados emergentes, como Índia e Brasil. O próximo balanço, referente ao terceiro trimestre, será divulgado em outubro.