IG4 Capital assume controle da Braskem e inicia reestruturação
IG4 Capital assume controle da Braskem e inicia reestruturação

Após meses de negociações e incertezas, a gestora IG4 Capital obteve aprovação final para assumir a participação de 50,1% que pertencia à Novonor na Braskem (BRKM5). Com a conclusão da operação, a IG4 passará a dividir o controle da petroquímica com a Petrobras (PETR3;PETR4), encerrando uma longa disputa envolvendo a venda da fatia da antiga Odebrecht.

Desafios de liquidez e reestruturação

Diante da atual restrição de liquidez, o BTG Pactual acredita que a principal missão da IG4 será liderar a reestruturação operacional e financeira da Braskem. No curto prazo, o foco deve estar na estabilização da posição de caixa, que aparenta estar abaixo dos níveis confortáveis, enquanto as necessidades de capital de giro aumentaram substancialmente.

De acordo com reportagens recentes, a Braskem avalia ingressar com um pedido de recuperação extrajudicial nas próximas semanas, possivelmente antes do fim de junho, em preparação para pagamentos de cupons de títulos de dívida previstos para julho.

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Pressão sobre o caixa

Para o BTG, a situação de liquidez continua desafiadora. A forte alta da nafta, matéria-prima essencial, eleva as necessidades de capital de giro e reduz a geração de caixa operacional. O banco destaca que os prazos médios de pagamento a fornecedores são cerca de quatro vezes menores que os de recebimento, ampliando a pressão financeira.

O BTG considera que medidas de preservação de caixa, reforço de liquidez e fortalecimento da estrutura de capital devem ser prioridades da nova gestão liderada pela IG4 nos próximos meses.

Análise do UBS BB

O UBS BB avalia positivamente a transferência de controle, pois pode facilitar uma solução para a situação financeira. O banco não descarta uma oferta pública de aquisição de ações (OPA), embora nenhuma informação adicional tenha sido divulgada. A principal incerteza continua sendo a solução de liquidez que a Braskem precisará implementar.

Baixa probabilidade de aumento de capital

O BTG avalia como pouco provável um aumento de capital. Para a Petrobras, uma elevação da participação acima de 50% implicaria consolidação da dívida, cenário indesejável. Da mesma forma, a IG4 não deve realizar injeção relevante de capital próprio no curto prazo. O novo controlador deve focar em otimização operacional e reorganização financeira.

Nesse contexto, a recuperação extrajudicial surge como alternativa para ganhar tempo e renegociar a dívida. Ainda assim, o BTG vê risco de novas linhas de crédito para financiar operações nos próximos meses.

Recomendações e preço-alvo

O BTG Pactual reitera recomendação neutra para a Braskem, com preço-alvo de R$ 9,00. Embora observe melhora nos spreads de resinas e forte poder de precificação, a exposição à nafta pressiona a geração de caixa. A ausência de aumento de capital reduz risco de diluição, mas os riscos de liquidez limitam a atratividade.

O UBS BB manteve recomendação neutra, elevando o preço-alvo para R$ 10,50 por ação (ante R$ 10,00). Para os ADRs, o novo preço-alvo passou de US$ 3,80 para US$ 4,00. A revisão reflete melhora nos spreads petroquímicos e benefícios do Regime Especial da Indústria Química (REIQ), com estimativa de Ebitda de US$ 2,6 bilhões para 2026.

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