Herdeiros de MC Marcinho vencem ação contra gravadora Link Records
Herdeiros de MC Marcinho vencem ação contra Link Records

Em uma vitória que promete sacudir os bastidores do funk, os herdeiros de MC Marcinho conquistaram na última segunda-feira uma vitória histórica na Justiça do Rio de Janeiro contra a Link Records, gravadora ligada ao DJ Marlboro. A sentença, assinada pelo juiz Arthur Magalhães Ferreira, da 5ª Vara Empresarial, declarou extintos os contratos entre o cantor e a empresa desde 1999. Com isso, a empresa não tinha mais qualquer direito de explorar comercialmente os maiores hits do artista, como "Garota nota 100" e "Poderosa".

Reação da família

Nas redes sociais, a família desabafou e celebrou. "Hoje meu coração se enche de alegria. Nós, filhos, vimos toda a batalha do meu pai, e a justiça foi feita. Meu pai hoje não está aqui para ver que venceu, mas nós nunca desistiríamos de algo que era importante para ele. O funk venceu", escreveu Marcelly, filha do cantor. Ao ser questionada por um seguidor sobre o fato de a família manter uma boa convivência com DJ Marlboro, Marcelly deu um fecho com muita maturidade: "O profissional tive que separar do pessoal. Como filha do meu pai, ele é minha prioridade e é direito dele!"

O filho Márcio Garcia também se manifestou: "Felicidade é o que transborda, não só em mim, mas na minha família e, acredito, no meu pai no céu. O legado dele vive, e lutamos para que sempre viva." A viúva Kelly Garcia foi direta: "Márcio não está mais aqui, mas seus filhos, que são legítimos, estão." A filha Sara Garcia e a irmã Gisa também se manifestaram.

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Disputa judicial

A disputa vinha se arrastando desde antes da morte de Marcinho, em 2023. A Link Records tentava barrar a nova versão de "Garota nota 100", gravada em 2024 com o Sorriso Maroto e Delacruz, e exigia a exclusividade das obras do funkeiro com base em contratos antigos. A decisão ainda rejeitou a tentativa da empresa de retirar das plataformas digitais a regravação por entender que a nova versão foi inteiramente produzida sem uso de elementos pertencentes à gravadora.

O juiz não só rejeitou a tese da gravadora, como destacou que a empresa explorava as músicas em plataformas digitais sem autorização, já que essa tecnologia nem existia na época dos contratos. Agora, a Link Records terá que indenizar a família pelos valores arrecadados nos últimos anos. O magistrado concluiu que o contrato original, assinado em 1997 e que a Link Records alegava ter sido ratificado em 2005, tinha duração limitada e já estava integralmente cumprido por Marcinho há mais de duas décadas.

Apoio de outros artistas

A publicação dos herdeiros virou ponto de encontro de grandes nomes do movimento. Nomes como MC G15 e MC Duduzinho deixaram suas mensagens de carinho, e MC Bob Rum comentou: "E ele continua fazendo história. É só o começo!" A batalha não é inédita no universo do funk. A decisão chega em um momento em que o debate sobre direitos autorais de artistas das décadas de 1990 e 2000 ganhou força, após Tati Quebra Barraco denunciar publicamente situação semelhante envolvendo DJ Marlboro e Dennis DJ. Ela também marcou presença nos comentários, com muitos emojis de palmas.

Os próprios herdeiros de Marcinho já haviam se solidarizado com a funkeira em março, lembrando que o artista "morreu sem poder gravar o seu DVD de 30 anos de história no funk porque não podia regravar suas próprias músicas". Tati é uma das vozes mais ativas nessa linha de frente e chegou a causar um verdadeiro alvoroço em abril deste ano ao surgir na pré-estreia de "O Diabo Veste Prada 2", no Theatro Municipal, usando uma camiseta que dizia: "Proibido fumar Marlboro". Tati, que também acusa Marlboro e Dennis DJ de reterem seus direitos autorais e de usarem inteligência artificial com sua voz sem autorização, já havia recebido o apoio público das famílias de Marcinho e de Mr. Catra, que também afirma passar pelo mesmo problema com grandes selos do funk dos anos 90 e 2000.

Expectativa de mudança

Para a família, a sentença é mais do que uma vitória jurídica, é o início de uma mudança. "Esperamos que seja apenas a primeira de muitas na causa dos funkeiros e MCs que lutam pela justiça", declararam em nota.

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