Guerras impulsionam vendas da Saab; Brasil é estratégico
Guerras impulsionam vendas da Saab; Brasil estratégico

As recentes guerras ao redor do mundo fizeram as vendas da empresa sueca de armamentos Saab dispararem, alcançando níveis históricos. Em comunicado oficial, a companhia informou que o faturamento do primeiro semestre de 2026 cresceu 45% em comparação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado por contratos de defesa firmados com países envolvidos em conflitos ou que buscam modernizar seus arsenais.

Desempenho financeiro recorde

A Saab, conhecida por fabricar caças Gripen, sistemas de radar e mísseis, reportou receita de 18 bilhões de coroas suecas (aproximadamente R$ 9 bilhões) entre janeiro e junho. O lucro líquido saltou para 3,2 bilhões de coroas, alta de 60% ante o mesmo período de 2025. A empresa atribui o desempenho ao aumento dos gastos militares globais, especialmente na Europa e no Oriente Médio.

Brasil como mercado estratégico

O Brasil foi destacado como um dos mercados mais promissores para a Saab nos próximos anos. A empresa já possui presença consolidada no país com a venda de 36 caças Gripen para a Força Aérea Brasileira, além de parcerias tecnológicas com a Embraer. Segundo o CEO da Saab, Micael Johansson, o Brasil tem potencial para se tornar um hub de produção e exportação de sistemas de defesa na América Latina.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

“O Brasil é estratégico não apenas como cliente, mas como parceiro industrial. Estamos expandindo nossa unidade em São Bernardo do Campo e planejamos transferir mais tecnologia para o país”, afirmou Johansson em entrevista coletiva. A empresa também negocia a venda de sistemas de defesa antiaérea e radares para o Exército Brasileiro.

Impacto dos conflitos globais

A guerra na Ucrânia, os conflitos no Oriente Médio e as tensões na Ásia-Pacífico têm elevado a demanda por armamentos. A Saab se beneficia especialmente da procura por sistemas de defesa aérea e aeronaves de combate de última geração. O Gripen, seu principal produto, tem sido adquirido por países como Hungria, República Tcheca e Tailândia.

Além disso, a empresa sueca assinou contratos de fornecimento de mísseis e sistemas de vigilância para nações da OTAN, que buscam reforçar suas capacidades militares diante da ameaça russa. A Saab também investe em tecnologias de guerra eletrônica e cibersegurança, áreas em crescimento no setor de defesa.

Perspectivas para o Brasil

No Brasil, a Saab pretende ampliar a linha de produção do Gripen e desenvolver versões adaptadas às necessidades locais. A empresa também estuda a criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento em parceria com universidades brasileiras. O governo brasileiro, por sua vez, sinalizou interesse em adquirir mais aeronaves e sistemas de defesa, dentro do programa de renovação da frota militar.

Especialistas apontam que a dependência brasileira de tecnologia estrangeira no setor de defesa pode ser reduzida com a transferência de conhecimento da Saab. “O Brasil tem condições de se tornar um exportador de sistemas de defesa para a América do Sul, aproveitando a base industrial já instalada”, avalia o analista de segurança internacional Carlos Alberto dos Santos.

Com a perspectiva de novos contratos e a expansão das operações no Brasil, a Saab projeta um crescimento contínuo nos próximos anos, consolidando-se como uma das principais fornecedoras de equipamentos militares do mundo.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar