Fusões e aquisições de médias e grandes empresas devem se recuperar no 2º semestre
Fusões e aquisições devem se recuperar no 2º semestre

Após um primeiro semestre fraco, as fusões e aquisições (M&As) de médias e grandes empresas no Brasil devem se recuperar nos próximos meses, impulsionadas pelo aumento do interesse de investidores estrangeiros. A avaliação é de Daniel Wainstein, sócio fundador da assessoria financeira Seneca Evercore.

Interesse estrangeiro cresce

“Os investidores internacionais estão super interessados. Esperamos um segundo semestre bastante forte”, afirma Wainstein. “Estamos executando 35 transações. Eu diria que em pelo menos 20 delas o potencial comprador trará capital de fora.”

Para o executivo, a percepção dos estrangeiros sobre o Brasil melhorou. Apesar das discussões sobre a situação fiscal, o cenário tem se mostrado melhor do que o mercado temia. Além disso, o Banco Central demonstra responsabilidade na dosagem da queda dos juros. Há também a percepção de que o controle dos gastos públicos tende a aumentar após as eleições, independentemente do vencedor.

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Risco menor atrai investidores

A melhora na percepção de risco é evidenciada pelo recuo no indicador CDS-5 (Credit Default Swap de 5 anos), que superou 300 pontos-base entre 2022 e 2023, mas recuou para cerca de 125 pontos-base, o menor nível em cinco anos. “Isso ajuda diretamente o interesse dos estrangeiros em investir no País”, aponta Wainstein.

A grande dúvida é sobre o timing exato para avançar, pondera. “Acabei de desligar de uma conversa com um cliente de fora, com ativo forte no Brasil, e possível interesse em vender. A dúvida dele [e de muitos outros] é se espera as eleições e se o CDS baixa mais.”

Setores com potencial

Os setores de infraestrutura, energia, telecomunicações, tecnologia e serviços financeiros concentram o maior volume de conversas sobre potenciais M&A, segundo o executivo. Há interesse de compra por parte de investidores estratégicos com visão de longo prazo, enquanto do lado da venda estão empresas familiares, sócios endividados e fundos de capital privado que já estão há muitos anos no negócio.

Primeiro semestre fraco

No primeiro semestre, o número de operações de fusões e aquisições foi de apenas 330, o mais baixo desde o mesmo período de 2018, quando houve 324 transações, conforme levantamento da Seneca Evercore. O resultado representa uma queda de 21% em relação ao primeiro semestre de 2025 (420 casos) e uma redução de 54% diante do pico na primeira metade de 2022 (725 casos). Ainda assim, ocorreram transações relevantes, como as vendas da Brava Energia, Bradsaúde, Mills e Desktop.

O cenário mais difícil para a compra e venda de grandes ativos é explicado por uma combinação de expectativas frustradas de queda nas taxas de juros e um ambiente macroeconômico com muitas incertezas globais, como a Guerra do Irã, o que levou investidores e empresários a recalcularem seus negócios.

Demanda reprimida

Essa situação gerou uma demanda reprimida por M&A de quem já tinha o objetivo de se desfazer dos ativos, mas isso deve chegar a um desfecho nos próximos meses, segundo Wainstein. “O nível de atividade aumentou muito, mas o resultado do primeiro semestre não reflete isso ainda”, diz, citando que a estruturação da venda, oferta ao mercado, recebimento de propostas, diligências e conclusão levam meses para maturar. “Quem começou em fevereiro ou março ainda vai anunciar suas transações”, prevê.

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