Governo aprova aumento de etanol na gasolina para 32% com petróleo em alta
Etanol na gasolina sobe para 32% para conter preços

Com a disparada do preço do petróleo, o governo brasileiro aprovou o aumento da mistura de etanol na gasolina de 30% para 32%. Embora pareça uma mudança modesta, os impactos são significativos em toda a cadeia produtiva.

Redução de importações e impacto nos preços

Segundo o Ministério de Minas e Energia, a medida pode reduzir a importação de gasolina em 900 milhões de litros por ano. Em meio à guerra entre Estados Unidos e Irã, a decisão, válida inicialmente por seis meses, visa conter a volatilidade dos preços dos combustíveis no Brasil.

“A gente segue, de modo geral, os preços internacionais. Então, essa oscilação pode ser compensada um pouco, aqui no Brasil a gente tem essa alternativa do uso do etanol. Isso daí reduz a nossa necessidade de importação e consegue balizar um pouco os preços ao consumidor final”, afirma Leandro Gilio, professor do Insper Agro Global.

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Aumento na produção de etanol

A indústria sucroalcooleira projeta um aumento de produção de 4 bilhões de litros nesta safra, indicando capacidade para atender à demanda adicional gerada pela nova mistura.

Preocupações com a frota de veículos

Especialistas apontam incertezas sobre o impacto em veículos mais antigos. Carros flex novos não enfrentam problemas, mas apenas 43% da frota total do Brasil é flex. Veículos mais antigos, híbridos a gasolina, importados e motos podem ser afetados.

“A gente não tem estudos de durabilidade, principalmente de peças de vedação, peças de borracha, alguns tipos de revestimento metálico”, diz Marcelo Augusto Leal Alves, professor de Engenharia Automotiva da USP.

A Anfavea, associação das montadoras, criticou a medida até que estudos técnicos comprovem segurança e compatibilidade com a frota circulante. O Ministério de Minas e Energia informou que testes realizados em março de 2025 avaliaram desempenho, consumo e compatibilidade de materiais, sem impactos relevantes, inclusive em veículos não flex.

Benefícios ambientais

Vanya Marcia Duarte, coordenadora do Laboratório de Produtos de Biomassa da UFMG, destaca ganhos ambientais: “Os biocombustíveis têm ganhos ambientais porque todo o carbono, CO2, que é queimado no biocombustível, ele é reabsorvido na hora que a planta está crescendo na fotossíntese. A gente minimiza essas mudanças climáticas, essas temperaturas muito altas, muitos extremos que a gente enxerga aí”.

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