O Flamengo, um dos clubes mais dominantes do futebol brasileiro na última década, pode investir até R$ 1 bilhão apenas em reforços para a temporada de 2026. A revelação foi feita pelo presidente do clube, Rodolfo Landim, durante evento com investidores. A declaração reforça a pujança financeira do Rubro-negro, que em 2025 ultrapassou a marca de R$ 2 bilhões em receitas, a maior do país.
Flamengo e Palmeiras: hegemonia financeira
Nos últimos dez anos, Flamengo e Palmeiras conquistaram juntos sete títulos do Campeonato Brasileiro e cinco Libertadores. Essa supremacia dentro de campo reflete a saúde financeira dos clubes. Os balanços de 2025 confirmam: ambos apresentaram as maiores receitas brutas e superávits. O Flamengo registrou um superávit de R$ 336 milhões, enquanto o Palmeiras obteve R$ 292,4 milhões. Para efeito de comparação, o terceiro maior superávit foi do Vasco, com R$ 81 milhões.
Pedro Weber, sócio da Chenus, destaca: “O sucesso recente de Flamengo e Palmeiras passa muito pela saúde financeira. Eles criaram um ciclo forte de geração de receita, previsibilidade de caixa e capacidade de investimento contínuo. Isso permite errar menos, manter elencos competitivos e planejar a longo prazo.”
Outros clubes com receitas bilionárias
Além de Flamengo e Palmeiras, outros três clubes ultrapassaram a barreira de R$ 1 bilhão em receitas: Botafogo (R$ 1,4 bilhão), São Paulo (R$ 1,07 bilhão) e Fluminense (R$ 1,02 bilhão). Contudo, esses números exigem ressalvas. O Botafogo, apesar da receita recorde, fechou 2025 com déficit de R$ 290,8 milhões, o segundo maior do país. Em abril, John Textor foi afastado da SAF do Botafogo pelo Tribunal Arbitral da FGV. O São Paulo, com superávit de R$ 56 milhões, teve seu balanço rejeitado pelo Conselho Deliberativo por 210 votos a 24. Já o Fluminense fechou no vermelho, com déficit de R$ 51,5 milhões.
Déficits alarmantes
O Atlético-MG registrou o maior déficit do país: R$ 882,1 milhões, impulsionado por uma perda de valor justo de R$ 572 milhões. O clube, no entanto, considera o prejuízo real de R$ 310 milhões. Outros clubes com déficits acima de R$ 100 milhões incluem Bahia (R$ 154,6 milhões), Corinthians (R$ 143,4 milhões), Cruzeiro (R$ 114,9 milhões), Coritiba (R$ 113,9 milhões), Sport (R$ 112,4 milhões) e Fortaleza (R$ 120,1 milhões).
Pedro Weber comenta: “Não vejo coincidência no fato de muitas SAFs aparecerem entre os maiores déficits. A primeira onda das SAFs no Brasil ocorreu em clubes financeiramente pressionados. Faltou diligência na definição dos limites de alavancagem.”
Superávits e surpresas
Dos 24 clubes analisados, apenas nove (37,5%) fecharam o ano com superávit. Destaque para o Mirassol, que com receita de R$ 179,9 milhões obteve superávit de R$ 58,1 milhões, e o Juventude, rebaixado, mas com saldo positivo de R$ 25,4 milhões. Os outros 15 clubes (62,5%) apresentaram déficits, incluindo os quatro que subiram para a Série A: Coritiba, Athletico-PR, Chapecoense e Remo.



