A Fifa anunciou planos de criar uma nova empresa para administrar seus torneios e vender 20% de suas ações a um grupo de investidores por US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21 bilhões). A operação seria realizada por meio da Thrive Eternal, um fundo de investimentos controlado por Joshua Kushner, irmão mais novo de Jared Kushner, genro e ex-conselheiro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação foi divulgada pela entidade máxima do futebol mundial durante uma reunião com as federações nacionais.
Detalhes do plano e votação
O plano, chamado de FIFA Forward Enterprise (FFE), prevê a criação de uma empresa separada que gerenciará as competições da Fifa, como a Copa do Mundo. Dessa nova empresa, 20% seriam vendidos a investidores, com a Thrive Eternal como intermediária. A proposta será submetida a votação entre as 211 federações nacionais filiadas à Fifa e precisa ser aprovada para avançar.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, apresentou o projeto, mas não esclareceu como a Thrive Eternal foi escolhida para gerir a venda dos 20% da FFE. A Thrive Eternal foi criada em abril deste ano, o que levanta questionamentos sobre sua experiência e ligação com a família Trump.
Possíveis conflitos de interesse
Joshua Kushner é irmão de Jared Kushner, que é casado com Ivanka Trump, filha de Donald Trump. Jared Kushner atuou como conselheiro sênior e enviado especial para missões de paz durante o governo Trump. Essa proximidade familiar gerou especulações sobre possíveis conflitos de interesse na escolha da Thrive Eternal para a transação bilionária.
Infantino, por sua vez, tem defendido a proposta como uma forma de modernizar a gestão dos torneios e gerar receitas para o desenvolvimento do futebol global. No entanto, a falta de transparência sobre a seleção da Thrive Eternal preocupa algumas federações e observadores do esporte.
Impacto e próximos passos
Caso aprovada, a venda de 20% da FFE poderia injetar US$ 4,2 bilhões nos cofres da Fifa, recursos que seriam usados para investir em programas de base, infraestrutura e competições. A decisão final caberá às federações nacionais, que devem votar o tema em assembleia extraordinária nos próximos meses.
A Fifa ainda não divulgou detalhes sobre os prazos para a votação ou os critérios usados para definir a Thrive Eternal como parceira. A entidade afirma que o processo segue todas as normas de governança e transparência, mas especialistas em direito esportivo pedem esclarecimentos adicionais.



