FIDCs perto de R$ 1 trilhão: gestores veem grande potencial de crescimento
FIDCs perto de R$ 1 tri: gestores veem potencial

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) estão prestes a atingir a marca histórica de R$ 1 trilhão em patrimônio líquido, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O crescimento acelerado desse segmento tem chamado a atenção de gestores, que enxergam espaço para uma expansão ainda maior nos próximos anos.

O que impulsiona os FIDCs?

O avanço dos FIDCs é explicado, em grande parte, pelo cenário macroeconômico brasileiro. Com a taxa Selic elevada, os fundos que investem em crédito privado se tornam mais atrativos, oferecendo rentabilidade superior à de títulos públicos. Além disso, a diversificação de ativos e a busca por alternativas aos fundos tradicionais têm atraído investidores institucionais e pessoas físicas.

De acordo com levantamento da Anbima, o patrimônio líquido dos FIDCs cresceu 25% nos últimos 12 meses, atingindo R$ 980 bilhões em junho de 2026. Se mantido o ritmo, o setor deve ultrapassar R$ 1 trilhão ainda no segundo semestre. Gestores destacam que a demanda por crédito corporativo, especialmente de médias empresas, é um dos principais motores desse movimento.

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Gestores veem oportunidades

Para Alexandre Silva, gestor de FIDCs da XP Asset, o mercado ainda está longe da saturação. "Há muito espaço para crescer, especialmente em setores como agronegócio, saúde e infraestrutura. Os FIDCs permitem alocar capital em nichos que os bancos tradicionais não atendem plenamente", afirma. Ele ressalta que a regulação mais clara e a padronização dos registros têm dado mais segurança aos investidores.

Outro fator é a digitalização do mercado de crédito. Plataformas de securitização e marketplaces de direitos creditórios têm facilitado a originação e a gestão dos ativos. "A tecnologia reduz custos e aumenta a transparência, o que atrai novos participantes", complementa Silva.

Riscos e desafios

Apesar do otimismo, os FIDCs não estão imunes a riscos. A inadimplência dos devedores, a volatilidade econômica e a liquidez dos títulos são pontos de atenção. Em 2025, a taxa de default média dos FIDCs ficou em 2,8%, abaixo da média histórica, mas gestores monitoram de perto o cenário.

Daniela Costa, analista da Moody's, alerta que a concentração em poucos setores pode amplificar perdas em caso de crise. "A diversificação é essencial. Fundos com exposição muito alta a um único segmento, como construção civil, podem sofrer choques localizados", diz.

Perspectivas para o futuro

Os gestores projetam que os FIDCs devem dobrar de tamanho nos próximos cinco anos, impulsionados por mudanças regulatórias e pela expansão do mercado de capitais. A possibilidade de inclusão dos fundos no portfólio de previdência privada e a criação de novos índices de referência também são vistas como catalisadores.

"Estamos apenas no começo. O mercado de crédito privado no Brasil ainda é pequeno comparado a países como Estados Unidos, onde os FIDCs representam 30% do PIB. Aqui, esse número é de 5%. Há muito o que crescer", conclui o gestor da XP Asset.

Com a aproximação do marco de R$ 1 trilhão, os FIDCs consolidam-se como uma peça-chave no ecossistema de investimentos brasileiro, oferecendo alternativas de renda fixa com prêmio de risco atraente. Investidores e gestores seguem atentos às oportunidades e aos riscos desse mercado em expansão.

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