O movimento falimentar no Brasil registrou alta de 15% em maio de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com dados divulgados pela Serasa Experian. Foram contabilizados 1.234 pedidos de falência no mês, o maior número desde janeiro de 2020, quando a pandemia de Covid-19 começou a impactar a economia.
Cenário econômico pressiona empresas
Especialistas apontam que a combinação de juros elevados, inflação persistente e desaceleração da atividade econômica tem levado um número crescente de empresas a buscar a proteção judicial. O indicador da Serasa considera tanto os pedidos de falência quanto os de recuperação judicial, que também cresceram no período.
Segundo a economista Camila Saito, da Serasa Experian, o aumento reflete a dificuldade das empresas em honrar seus compromissos financeiros. "As companhias estão com margens apertadas e enfrentam custos operacionais mais altos, o que eleva o risco de insolvência", explica.
Setores mais afetados
Os setores de comércio e serviços foram os mais impactados, respondendo por 65% dos pedidos. A indústria também apresentou alta, com destaque para os segmentos de metalurgia e produtos químicos. Já o agronegócio, que vinha em trajetória de recuperação, voltou a registrar aumento nos pedidos de falência.
Em relação ao porte das empresas, as micro e pequenas empresas lideram os pedidos, representando 78% do total. "São os negócios de menor porte que mais sofrem com a falta de crédito e a redução do consumo", afirma Saito.
Recuperação judicial também sobe
Os pedidos de recuperação judicial cresceram 12% em maio, totalizando 876 solicitações. O objetivo desse instrumento é permitir que empresas em dificuldades financeiras possam renegociar dívidas e evitar a falência. No entanto, o número de empresas que conseguem se recuperar efetivamente ainda é baixo.
Segundo dados do Serasa, apenas 30% das empresas que entram com pedido de recuperação judicial conseguem sair do processo com sucesso. "A recuperação judicial é uma ferramenta importante, mas depende de um plano viável e da disposição dos credores em negociar", avalia a economista.
Perspectivas para os próximos meses
Analistas projetam que o número de falências deve continuar crescendo nos próximos meses, caso o cenário econômico não melhore. A expectativa é de que a taxa básica de juros, a Selic, permaneça em patamar elevado, o que encarece o crédito e desestimula investimentos.
Para o governo, a alta nos pedidos de falência acende um alerta sobre a necessidade de medidas que estimulem a atividade econômica e gerem emprego. "É fundamental criar um ambiente de negócios mais favorável, com menos burocracia e acesso facilitado ao crédito", defende o presidente da Associação Comercial de São Paulo, Roberto Mateus.
Os dados completos do movimento falimentar de maio serão divulgados pela Serasa Experian na próxima semana, com detalhamento por estado e setor.



