O ambiente do Mercado Financeiro é extremamente desafiador, e para driblar o estresse diário, alguns executivos encontram na atividade física uma válvula de escape. É o caso de Edilson Reis, CIO e diretor executivo do Grupo Bradesco Seguros, responsável pelas áreas de Tecnologia, Inovação e Vendas Digitais, que é corredor e triatleta amador nas horas vagas. A seguradora retomou o Circuito Longevidade este ano, após uma pausa desde a pandemia, e foi na etapa no Rio de Janeiro que o executivo concedeu entrevista exclusiva.
Circuito Longevidade e iniciativas de bem-estar
Criado em 2007 pelo Grupo Bradesco Seguros, o Circuito da Longevidade já reuniu mais de 40 mil pessoas ao longo de sua história. Ele integra um conjunto de ações da companhia voltadas à promoção do envelhecimento ativo e do bem-estar em todas as fases da vida. Entre essas iniciativas, destacam-se o Indicador de Longevidade Pessoal (ILP), o Fórum da Longevidade, os Prêmios Longevidade e o portal Viva a Longevidade, com conteúdo para quem busca envelhecer com saúde e qualidade de vida.
Trajetória profissional e pessoal
Ao longo de 12 anos (2010 a 2022), o executivo esteve à frente da área de TI do Banco Bradesco. Em 2022, foi nomeado diretor executivo e CIO da companhia, cargo que ocupou até seu ingresso no Grupo Bradesco Seguros, em setembro de 2025. Ao contrário do que possa parecer, Reis não nasceu em berço de ouro. Carioca, morava com sua família perto do Maracanã, onde começou a se exercitar na natação, ainda na infância. "Minha mãe sempre me incentivou a praticar esportes, porque faz bem para a saúde. Minha mãe fazia hidroginástica e ginástica lá. Mas como eu adorava andar de bicicleta, logo migrei para o ciclismo. Isso lá no começo dos anos 80", recorda. Em um dos treinos, quando moleque, ele capotou feio e quebrou o dente, resultando na proibição do ciclismo pela mãe.
Já adulto, após se formar na faculdade, começou a trabalhar, se casou e engordou muito. Um belo dia, um amigo o convidou para ir pedalar do Recreio dos Bandeirantes até a Prainha. Reis aceitou o convite e foi comprar uma Caloi. Longe do mundo esportivo desde a infância, descobriu um mundo de marcas de bicicletas, acessórios e roupas. Ele se empolgou, comprou uma mountain bike e esse passeio foi o primeiro de muitos. "Isso deve ter sido em 2003, meu filho era bem pequeno, e ele nasceu em 1998. Depois comprei uma bicicleta Speed, mas mesmo assim eu estava ganhando peso, comentei com minha esposa que eu achava que estava muito gordo. E ela me deu de presente seis meses de personal trainer."
Primeiro triatlo e a descoberta do esporte
O professor era triatleta e com o tempo incentivou Reis a fazer o primeiro triatlo. Mas ele declinou, odiava correr. No entanto, com o argumento de que a corrida o faria emagrecer, o personal o convenceu. Reis começou a correr e fez o primeiro triatlo em 2006, o curto: "Você nada 750 metros, aí pedala 20 km e corre 5 km. Foi na Praia do Flamengo, tinha poluição para caramba. Nadei sem roupa de borracha. Acabei quase morto, mas foi muito legal, até o tempo das transições contam, por isso o tênis da corrida não tem cadarço, mas elástico. E aí comecei a tomar gosto, essa foi só a primeira. Fiz muitas provas depois e aumentando as distâncias."
Reis aprendeu nos treinos e na prática que ter uma estratégia era fundamental. Por exemplo, como era melhor na bicicleta, se fizesse muita força nessa parte, depois não tinha pernas para correr e finalizar a prova. "Você paga na corrida." Para ele, o pior de tudo é depois de nadar sair pedalando: "Seu corpo está na horizontal por muito tempo e quando você sai da água, para ir para transição correndo, tem uma certa dificuldade."
Ironman e maratonas
Com o tempo, se sentindo preparado, em 2010 se inscreveu em uma das provas do Ironman. "Antes da prova, eu lesionei o joelho. Fiz muita fisioterapia com medo de não conseguir fazer a prova. Mas consegui fazer meu primeiro Ironman em 2010, em 13 horas 16 minutos, você tem até 17 horas para completar a prova. O campeão fez em 8 horas." Depois desse, resolveu fazer outro para tentar baixar o tempo para a casa das 12 horas, mas teve que fazer um combinado com a família: faz um ano sim, um ano não, por conta dos treinos extenuantes. Para dar conta, o executivo acorda de madrugada para treinar durante a semana, além dos treinos longos no fim de semana.
A meta das 12 horas no Ironman não veio na segunda tentativa, mas na terceira. "Foi em 2013, em Florianópolis, concluí em 12 horas e 20 minutos. Minha esposa e meus filhos foram juntos." No ano seguinte, ele decidiu fazer um meio Ironman, conhecido por 70.3, nadando 1.900 metros, pedalando 90 km e correndo 21,1 km. Alugou uma casa em Florianópolis, onde seria a prova, e levou a esposa, o filho e todos os quatro sobrinhos, com as namoradas e namorados, formando uma torcida particular. "Fiz uma previsão dos horários que iria passar em cada transição, ainda não tinha os aplicativos como tem hoje. E o pior, lá em Floripa, é quando você passa perto de uma churrascaria, aquele cheiro de carne, dá uma vontade de desistir... Mas sabia que quando passasse pela família ia ser uma festa, todo mundo lá gritando, te incentivando. E você precisa muito disso porque é uma prova que você está correndo contra a sua cabeça."
Com o Ironman, vieram as maratonas. Reis fez sua primeira maratona solo em 2019, a de Nova York. "Nas vésperas do Covid, 53 mil pessoas correndo em novembro de 2019. E no ano passado fiz a Maratona de Londres. E aí me empolguei de voltar a fazer a prova de triatlo. Aí fiz o meio no Rio. Mantive o condicionamento pedalando."
Esporte e vida profissional
A atividade esportiva ajuda no dia profissional? "Ajuda. Acho que o primeiro é uma válvula de escape da tensão do dia a dia, o estresse que você vive e, de alguma maneira, apesar de ser um esporte solitário, é um esporte que você precisa de equipe para conseguir completar. Então você faz a prova toda sozinho. Mas para fazer a prova, precisa de um treinador, de um preparador físico, precisa do fisio para a liberação. Aí você tem o ortopedista, a nutricionista. E tem a família, tem que negociar os treinos. Treinar para o Ironman exige muito da família também. Todo dia tem treino. Hoje eu estou bem mais devagar, mas acabo fazendo dois esportes por dia. Hoje uso a IA nos treinos. A diferença do esporte agora para o esporte de 20 anos atrás é a quantidade de informação e dados que a gente captura e monitora. A IA não vai correr por você, mas ela te dá broncas. Você pega o Polar, o Garmim: 'Ah, teu treino foi horrível, tá baixo, improdutivo.' Quando você pega o Apple Watch, não, fala: 'Muito bem, parabéns'."
Sua primeira maratona foi no Ironman? "Sim, a primeira maratona da minha vida foi dentro do Ironman. Depois disso você pode fazer qualquer coisa. Vou te dizer que corri solo duas maratonas e mais três maratonas dentro do Ironman. Eu te digo que achei pior correr só a maratona do que fazer o Ironman. Porque quando você chega na maratona do Ironman, a sua cabeça tá te dizendo: 'Agora só falta essa'. Só falta você correr uma maratona e acabou. Até porque no Ironman, você está preparado: 'Eu vou passar o dia'. Vou largar às 7 horas da manhã e vou chegar às 7 horas da noite, fazendo exercício o dia inteiro. E a hora que vê a linha de chegada é muito emocionante. Você chora. Chorei nos três que fiz. É realmente uma superação, uma emoção."
No trabalho, os colaboradores perceberam alguma mudança em você? "Eu fico mais agitado. Já nadei 2.000 metros ou já pedalei. Não é como se estivesse começando o dia, já estou embalado. Já estou pensando em almoçar, cheio de vontade de almoçar." Você trabalha até muito tarde? "Sim, até às 19h. Durante a semana, eu não pedalo na rua, mas só pedalo no rolo, em casa. E aí ou eu vou para a academia do escritório para correr ou acabo correndo na rua dentro do condomínio. Até porque a prioridade é o trabalho. Acho perigoso pedalar na rua, você pode se acidentar. Nos fins de semana, vamos muito para a Estrada dos Romeiros - ida e volta dá 100 quilômetros de pedal, é um treino diferente."
Passava na sua cabeça ser atleta amador? "Nunca, jamais. Nem sabia o que era triatlo. Esse meu treinador começou a me falar de triatlo, que era muito legal e que eu iria conseguir. Ela já tinha feito o Ironman. E uma coisa que brinco, se você não quer fazer o triatlo, não vá assistir uma prova, porque se você ver vai querer fazer. Eu cheguei a pesar 98 kg, e na época do Ironman, já estava com 78 kg. A vantagem também é o seguinte, você come o que você quiser, que você não engorda. Isso é muito legal. Agora em São Paulo, voltando a treinar direito, vou fazer um Ironman full. A Fernanda Keller voltou agora, aos 62 anos, uma lenda. Ela estava nas três provas que fiz. Sempre incentivando os participantes. O Alexandre Ribeiro também."



