O vereador de São Paulo Senival Pereira de Moura, preso na última quinta-feira (24) na Operação Última Parada, pediu afastamento do PT. A informação foi confirmada pelo diretório municipal do partido na capital paulista. Ele é apontado pela Polícia Civil como figura central em um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Afastamento do partido
Em nota, o PT informou: "Informamos que o vereador Senival Moura encaminhou, neste sábado, à direção do Diretório Municipal do PT São Paulo, o pedido de afastamento de sua filiação ao Partido dos Trabalhadores, com a justificativa de se dedicar à sua defesa e de não vincular os últimos acontecimentos ao partido".
Senival, em seu sexto mandato, ocupa os cargos de primeiro-secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica, responsável por fiscalizar políticas de transporte na capital.
Investigação aponta uso de empresa de ônibus para lavagem de dinheiro
Segundo as investigações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil, a empresa Transunião Transportes S.A. era usada para ocultar patrimônio e movimentar recursos do PCC. A relação de Senival com o transporte remonta à década de 1970, quando explorava linhas clandestinas de Kombi entre Guaianases e Itaim Paulista, na Zona Leste.
Em 2022, o g1 revelou que Senival já era investigado por suspeita de envolvimento na morte de Adauto Soares Jorge, ex-diretor financeiro da Transunião, assassinado a tiros em março de 2020. Na ocasião, a polícia prendeu dois suspeitos e apreendeu 13 ônibus da companhia. O vereador negou as acusações.
Esquema e movimentação financeira
Relatórios de inteligência financeira apontam que Senival movimentou cerca de R$ 4,39 milhões entre 2019 e 2022, com diferença superior a R$ 2,4 milhões em relação aos rendimentos declarados. Mensagens em celulares apreendidos indicam que movimentações informais, como pagamentos semanais de R$ 70 mil, dependiam de sua autorização. Nas comunicações, Senival era chamado de "presidente", "véio" ou "vereador".
Planilhas internas mostram que ele aparecia como "cooperado oficial" de pelo menos 13 ônibus da frota, recebendo rendimentos desviados. Familiares, como a esposa Maria de Lourdes, os filhos Ítalo e Vitor, e o irmão Rubens, além do assessor Adão Lino dos Santos e o motorista Devanil "Sapo", são apontados como partícipes no esquema.
Patrimônio e tribunal do crime
A investigação menciona imóveis de alto padrão, como um apartamento na Vila Madalena (zona oeste) e uma propriedade rural em Extrema (MG). O MP-SP afirma que, após descoberta de desvios, Adauto e Senival foram "condenados à morte" pelo tribunal do crime do PCC. Senival teria sido perdoado devido à influência política e capacidade financeira, mas como contrapartida, concordou com a morte de Adauto, executado em março de 2020.
Defesa do vereador
A defesa de Senival, por meio do advogado Márcio Sayeg, disse que ele é inocente e recebeu com "profunda indignação" a prisão temporária. A nota afirma que confia na Justiça e que adotará providências para esclarecimentos. "O Vereador reafirma que confia na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte", diz o texto.



