Equatorial é escolhida investidora de referência na privatização da Copasa
Equatorial é escolhida investidora na privatização da Copasa

A Copasa (CSMG3) anunciou que a Equatorial Energia (EQTL3) foi selecionada como investidora de referência finalista no processo de privatização da companhia. A operação prevê a aquisição de uma participação de 30% por R$ 49,03 por ação, totalizando aproximadamente R$ 5,6 bilhões.

O preço ofertado superou o valor mínimo estabelecido de R$ 47,23 por ação, mas ficou abaixo da cotação de fechamento do dia, que era de R$ 59 por ação. Para efeito de comparação, uma participação de 30% na Copasa, aos preços de mercado atuais, vale cerca de R$ 6,7 bilhões.

De acordo com o fato relevante divulgado, a Equatorial foi a única interessada na posição de investidor de referência. Por volta das 11h05, as ações da Copasa caíam 5%, a R$ 57, enquanto a Equatorial recuava 2,16%, a R$ 38,95.

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Visão dos analistas

Na visão do Morgan Stanley, a privatização aumenta o potencial de geração de valor da Copasa, especialmente sob a liderança operacional da Equatorial. O Bradesco BBI avalia a operação como positiva para a Equatorial, destacando mais um movimento consistente de alocação de capital em condições atrativas. A aquisição foi realizada próxima ao piso de preço e implica uma Taxa Interna de Retorno (TIR) real estimada em torno de 12%, além de um potencial de valorização inicial relevante, considerando o preço-alvo de R$ 61,00 para CSMG3.

Estratégia e operações

Do ponto de vista estratégico, a companhia passa a consolidar uma plataforma relevante em saneamento, com ativos em regiões de alta densidade e sob um modelo regulatório favorável, o que permite maior previsibilidade e espaço para captura de eficiência. Em termos operacionais, um cenário de privatização que contempla forte redução de custos (cerca de 40% até 2029), investimentos elevados (R$ 35 bilhões até 2033) e contratos de longo prazo até 2073 reforça a visibilidade da tese.

O Bradesco BBI ainda vê potencial adicional caso a Equatorial avance além dessas premissas, dado seu histórico de execução. Do lado financeiro, o impacto na alavancagem é limitado, com aumento estimado de apenas 0,3 vez na relação Dívida Líquida/EBITDA, permanecendo em níveis confortáveis. Para a Copasa, a entrada de um acionista estratégico tende a ser um importante catalisador, melhorando a percepção de governança e abrindo espaço para ganhos operacionais.

Próximas etapas da privatização

Segundo o cronograma divulgado pela Copasa, o período de reserva da oferta terá início em 5 de junho. Durante essa fase, investidores da oferta não profissional poderão apresentar pedidos de reserva para adquirir a parcela remanescente de até 20% do capital da companhia. Atualmente, o governo de Minas Gerais detém aproximadamente 50% das ações da empresa. A definição do preço da oferta está prevista para 11 de junho, enquanto a liquidação financeira deve ocorrer em 16 de junho.

Caso a privatização seja confirmada, os analistas do JPMorgan acreditam que as ações da Copasa ainda poderiam subir cerca de 10%, assumindo convergência da TIR para o patamar mais baixo do prêmio de risco observado na Sabesp (SBSP3) em abril de 2026. Para a Equatorial, considerando a aquisição de 30% da Copasa, o JPMorgan calcula criação de valor entre 2,5% e 4,5% do valor presente líquido. Em um cenário em que ambas as empresas passem a negociar com TIR real de 10%, o potencial de valorização da Equatorial chegaria a 17%.

Goldman mantém preferência por Equatorial

O Goldman Sachs reiterou sua preferência pela Equatorial entre as distribuidoras de energia sob sua cobertura, mantendo recomendação de compra para as ações. O banco considera a empresa uma das melhores alocadoras de capital do setor e avalia que o papel negocia atualmente a uma taxa interna de retorno (TIR) real próxima de 12%, considerada atrativa.

O Morgan Stanley também mantém recomendação overweight (equivalente à compra) para a Equatorial, com preço-alvo de R$ 45, classificando o papel entre seus favoritos dentro do universo de cobertura. O Bradesco BBI reitera recomendação de compra para Equatorial, com preço-alvo de R$ 54,00.

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Visão mais cautelosa para Copasa

Apesar de reconhecer que a entrada da Equatorial fortalece a tese de investimento da Copasa ao aumentar a confiança na execução operacional e na geração de valor, o Morgan Stanley mantém recomendação equal-weight (neutra) para a companhia. O banco destaca que ainda existem riscos relevantes, como possíveis mudanças regulatórias e a adesão dos municípios ao processo de privatização.

Além disso, após a forte valorização recente das ações, a Copasa passou a apresentar potencial de queda em relação ao preço-alvo-base do banco e apenas cerca de 25% de valorização até o cenário otimista, uma relação risco-retorno considerada menos atraente quando comparada a outras empresas do setor.