Embraer dispara 2,35% com aval grego e JPMorgan otimista
Embraer dispara 2,35% com aval grego e JPMorgan otimista

Boas notícias impulsionam as ações da Embraer (EMBJ3) nesta sexta-feira (12), com ganhos de 2,35% a R$ 72,87 por volta das 13h50 (horário de Brasília). O destaque positivo vem da aprovação pelo Parlamento da Grécia da compra de três aeronaves militares C-390 Millennium, fabricadas pela empresa brasileira. Segundo o JPMorgan, o negócio pode adicionar mais de US$ 360 milhões à carteira de pedidos da Embraer.

Impacto nos negócios da Embraer

O banco norte-americano considera o movimento positivo para a companhia, especialmente por fortalecer a divisão de Defesa e aumentar a visibilidade de receita no médio prazo. Conforme o relatório, o contrato — ainda sem anúncio oficial da Embraer — prevê a aquisição com base em valores estimados de US$ 120 milhões por aeronave. Caso confirmado, o impacto representaria um aumento de cerca de 8% sobre o backlog atual da área de Defesa, que hoje está em US$ 4,4 bilhões.

Com o novo pedido, o número de encomendas firmes do modelo C-390 poderia chegar a 35 unidades, ampliando a presença internacional da aeronave, considerada uma das apostas estratégicas da companhia no segmento militar. O relatório destaca que o interesse da Grécia já vinha sendo especulado ao longo do último ano e se soma a uma lista crescente de países que adotaram ou avaliam o cargueiro brasileiro, como Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Holanda, Áustria e Suécia.

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Pipeline de pedidos e perspectivas

Além das encomendas já contratadas, o JPMorgan aponta um pipeline relevante de potenciais pedidos em negociação, incluindo mercados como Índia e Arábia Saudita, o que pode ampliar significativamente o backlog da Embraer ao longo dos próximos anos. Para o banco, a expansão consistente da carteira de pedidos — especialmente na divisão de Defesa — é um dos principais pilares para sustentar a recomendação overweight (equivalente à compra) para as ações da Embraer. A análise ressalta que a maior participação da área de Defesa nos resultados tende a trazer maior previsibilidade e diversificação de receitas, reduzindo a dependência do ciclo da aviação comercial.

Ainda nesta semana, foi informado que a Kenya Airways está considerando incorporar jatos Embraer E2 como parte de sua estratégia de crescimento e modernização da frota. Atualmente, a Kenya Airways opera nove jatos Embraer E190 e planeja expandir sua frota para atender à crescente demanda. A empresa afirmou estar em conversas com a Embraer sobre o possível uso do E2, destacando que é o único operador africano com um centro de manutenção dedicado do fabricante brasileiro.

As discussões em andamento para novos pedidos de aeronaves comerciais continuam, mesmo durante um período mais difícil para as companhias aéreas devido ao aumento dos preços dos combustíveis. O Bradesco BBI apontou seguir otimista em relação à Embraer e continua vendo novos pedidos como possíveis gatilhos para o nome. No entanto, observa que a carteira de pedidos no maior nível dos últimos anos cria previsibilidade, mesmo que os pedidos desacelerem.

Valuation segue atrativo frente a pares globais

Mesmo após a valorização recente dos papéis, o JPMorgan vê a Embraer negociando a múltiplos mais baixos que concorrentes internacionais. A empresa é estimada em 9,3 vezes o valor da firma sobre Ebitda (EV/lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) projetado para 2026, bem abaixo de Boeing (46,5x), Bombardier (14,3x) e Airbus (11,7x).

Em outra métrica, de valor da firma sobre backlog, a Embraer está em 0,34 vez, também abaixo da média do ano (0,39x), o que reforça a visão de desconto relativo no mercado. Apesar do tom construtivo, o banco observa que a conclusão efetiva do contrato com a Grécia ainda depende de confirmação oficial por parte da Embraer. Ainda assim, o JPMorgan considera que o avanço político no país europeu aumenta a probabilidade de fechamento do acordo.

O Bradesco BBI tem recomendação de compra para EMBJ3, com preço-alvo de R$ 110.

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