O embedded finance — a integração de serviços financeiros a plataformas não financeiras — está redesenhando a jornada do consumidor, eliminando atritos e elevando a taxa de conversão. Em vez de buscar um banco para pagar, financiar ou segurar, o cliente realiza essas operações dentro do próprio aplicativo ou site em que já está navegando. Esse modelo, que ganhou força com a digitalização acelerada pela pandemia, tornou-se um dos principais vetores de inovação no setor.
O que é embedded finance?
Embedded finance é a oferta de produtos financeiros — como pagamentos, empréstimos, seguros e investimentos — de forma integrada a plataformas de outros setores, como varejo, mobilidade e até saúde. O exemplo mais comum é o pagamento por aproximação dentro de um app de delivery ou o financiamento parcelado no checkout de uma loja virtual. A proposta é simples: oferecer a solução financeira no momento exato da necessidade, sem que o consumidor precise sair da plataforma.
Segundo dados da consultoria McKinsey, o embedded finance pode movimentar até US$ 7 trilhões em receitas globais até 2030, com destaque para mercados emergentes como o Brasil. A expectativa é que a maior parte desse crescimento venha de pequenas e médias empresas que adotam a tecnologia para melhorar a experiência do cliente e fidelizar o público.
Impacto na jornada do consumidor
O impacto mais visível é a redução do atrito. Antes, o consumidor que desejava parcelar uma compra precisava recorrer ao cartão de crédito ou a um financiamento separado. Com o embedded finance, a opção de parcelamento aparece automaticamente no momento do checkout, com taxas e condições transparentes. Isso não só acelera a decisão de compra, mas também aumenta o tíquete médio, já que o cliente se sente mais seguro para gastar.
Outro ponto é a personalização. As plataformas que adotam embedded finance conseguem coletar dados de comportamento e oferecer ofertas sob medida. Um aplicativo de mobilidade, por exemplo, pode oferecer um seguro para viagem no momento em que o usuário agenda uma corrida para o aeroporto. Essa abordagem contextual aumenta a relevância da oferta e a probabilidade de aceite.
Desafios e regulação
Apesar das vantagens, o embedded finance também traz desafios. A regulação é um deles. No Brasil, o Banco Central tem acompanhado o movimento e já sinalizou que pretende criar regras específicas para o setor, especialmente no que diz respeito à proteção de dados e à prevenção à lavagem de dinheiro. As empresas precisam estar atentas às exigências do órgão regulador para evitar sanções.
Além disso, a segurança cibernética é uma preocupação crescente. Com mais dados circulando entre plataformas, o risco de vazamentos e fraudes aumenta. Especialistas recomendam a adoção de autenticação multifator e criptografia de ponta a ponta como medidas básicas de proteção.
O futuro do setor
O embedded finance deve se expandir para além dos pagamentos e empréstimos. Nos próximos anos, é provável que vejamos a integração de serviços mais complexos, como planejamento financeiro e gestão de investimentos, em plataformas do dia a dia. A tendência é que o consumidor não precise mais distinguir entre uma experiência de compra e uma experiência financeira — tudo se torna uma coisa só.
Segundo João Pedro Nascimento, presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em evento recente, "o embedded finance é uma oportunidade para democratizar o acesso a serviços financeiros de qualidade, especialmente para a população que hoje está à margem do sistema tradicional". Ele ressaltou que a regulação deve equilibrar inovação e proteção ao investidor.
Para as empresas, a mensagem é clara: quem não se adaptar a essa nova realidade pode perder espaço no mercado. A integração financeira deixou de ser diferencial e se tornou necessidade competitiva. A jornada do consumidor está mudando, e o embedded finance é o motor dessa transformação.



