El Niño eleva energia e favorece geradoras descontratadas, diz Scotiabank
El Niño favorece geradoras descontratadas, diz Scotiabank

O fenômeno climático El Niño, que deve elevar as temperaturas e reduzir as chuvas no Brasil nos próximos meses, está criando um cenário favorável para as geradoras de energia descontratadas. Segundo relatório do Scotiabank, essas empresas podem se beneficiar com a venda de energia a preços mais altos no mercado de curto prazo.

Impacto do El Niño no setor elétrico

O El Niño tende a provocar secas na região Norte e Nordeste, afetando a geração hidrelétrica, enquanto aumenta a demanda por energia devido ao calor. Isso pressiona os preços no mercado spot, que já subiram mais de 30% nos últimos meses. O Scotiabank destaca que as geradoras com capacidade descontratada, ou seja, que não têm contratos de venda de longo prazo, podem aproveitar essa alta para negociar energia a valores mais elevados.

“Com a perspectiva de chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal, o risco hidrológico aumenta, o que eleva o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD)”, afirmou o banco em nota. O PLD é a referência para as transações no mercado de curto prazo.

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Empresas mais beneficiadas

Entre as geradoras que podem se destacar estão aquelas com usinas termelétricas e eólicas, que não dependem de reservatórios. O Scotiabank cita empresas como a Omega Geração e a Eneva como potenciais beneficiadas, por possuírem portfólios com alta exposição ao mercado livre. A Eneva, por exemplo, tem cerca de 70% de sua capacidade descontratada, segundo analistas.

O banco também ressalta que o cenário positivo pode se estender até o primeiro trimestre de 2026, dependendo da intensidade do El Niño. “Historicamente, eventos de El Niño fortes elevam o PLD para patamares acima de R$ 600 por MWh, o que representa um ganho significativo para essas empresas”, explica o relatório.

Riscos e perspectivas

Apesar do otimismo, o Scotiabank alerta para riscos, como a possibilidade de intervenções governamentais para conter os preços ou a entrada de novas usinas solares e eólicas que possam aumentar a oferta. Além disso, o cenário pode ser diferente para as distribuidoras, que enfrentam custos mais altos com a compra de energia.

O banco mantém recomendação de compra para as ações da Omega Geração e Eneva, com preços-alvo de R$ 52 e R$ 18, respectivamente. No acumulado do ano, as ações da Omega subiram 15%, enquanto as da Eneva avançaram 8%, impulsionadas pelas expectativas de preços mais altos.

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