Dongfeng define estratégia de produção no Brasil até 2026
Dongfeng define produção no Brasil até 2026

A Dongfeng Motors, que adotará a marca DFM no mercado brasileiro, pretende definir até o final de 2026 o formato de sua estratégia de produção de veículos no Brasil. Em entrevista exclusiva ao Jornal do Carro nesta segunda-feira (3), o CEO regional da companhia para as Américas, Wang Jiong, revelou que mantém negociações ativas tanto com a Nissan quanto com a Stellantis para viabilizar uma operação industrial no país.

Negociações em andamento com Nissan e Stellantis

Segundo Wang, a empresa trabalha com diferentes cenários para a operação brasileira. Entre as possibilidades avaliadas estão a utilização de uma fábrica já existente de outra montadora, a criação de uma joint venture ou o estabelecimento de uma operação própria. A expectativa é que a decisão seja tomada ainda neste ano, permitindo uma visão mais clara do projeto a partir de 2027. “Estamos conversando. O progresso é muito positivo”, afirmou o executivo.

A Stellantis já confirmou publicamente que está em negociação com a Dongfeng. Já a Nissan admitiu ter recebido representantes da companhia chinesa em sua fábrica em Resende (RJ), mas esclareceu que não houve conversas sobre uma parceria para produção. Apesar disso, Wang indica que a Nissan parece ser a parceira mais avançada.

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Nissan como potencial parceira

Wang evitou definir qual será o formato final da operação, mas lembrou que a Nissan é parceira da Dongfeng há mais de duas décadas na China. Ele também destacou as negociações com a Stellantis. Segundo o executivo, a Nissan demonstra maior abertura para uma parceria no Brasil. Equipes da montadora japonesa e da matriz chinesa estão discutindo detalhes do projeto, incluindo a possibilidade de uma joint venture ou do uso da estrutura industrial da Nissan em Resende.

Questionado sobre uma eventual venda da fábrica da Nissan, Wang afirmou nunca ter recebido essa informação. “Pelo que sei, a Nissan pretende manter a fábrica. Acredito que ela procure mais um parceiro do que um comprador”, declarou.

Produção local pode começar em 2027

Até que a decisão seja tomada, a Dongfeng continuará operando apenas com veículos importados. Wang afirmou que a empresa espera avançar na produção brasileira a partir do segundo semestre de 2027. A estratégia inclui elevar gradualmente o índice de nacionalização das peças.

A meta da fabricante é atingir cerca de 60% de conteúdo local, aproveitando fornecedores que já trabalham com a Dongfeng na China, como Bosch e Marelli. Equipes de compras e desenvolvimento da empresa devem visitar fabricantes brasileiros para ampliar essa rede de fornecedores.

Defesa da produção de baterias no Brasil

O executivo também afirmou que considera inevitável a instalação de fábricas de baterias no Brasil caso a indústria nacional avance na eletrificação. Segundo Wang, produzir baterias localmente ajudaria as montadoras a aumentar o índice de conteúdo nacional e atender aos requisitos dos programas de incentivo do governo.

Ele afirmou que empresas chinesas do setor poderiam investir no país caso encontrem condições favoráveis. “O Brasil tem a matéria-prima. O que falta é tecnologia e capacidade de produção”, disse.

Primeiros carros chegam em setembro

A Dongfeng também confirmou o cronograma de lançamento de seus veículos no Brasil. O primeiro lote, com aproximadamente 300 unidades, desembarcará em setembro. Os veículos serão destinados principalmente às concessionárias, como modelos de exposição e test-drive.

Um segundo embarque, entre 1.000 e 1.500 veículos, está previsto para outubro, quando começam as vendas em maior escala. Além dos modelos que estreiam neste ano, Wang confirmou que a Dongfeng pretende ampliar o portfólio brasileiro em 2027 com novos SUVs já vendidos na China.

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