“Eu acho a Bolsa melhor.” A afirmação de José Rocha, diretor de investimentos da Dahlia Capital, resume a aposta da gestora: mesmo com a NTN-B, título público atrelado à inflação (IPCA+), em nível atraente, é a renda variável que leva a melhor.
Juro real e comparação internacional
A conta do juro real ajuda a explicar. Rocha compara o prêmio brasileiro ao dos papéis americanos protegidos da inflação: em momentos de estresse, o diferencial beira 6,5 pontos; em tempos de reforma, cai para cerca de 3. No programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, o gestor detalhou a matemática. Com o juro real americano perto de 2 pontos, a soma dá 8,5 — próximo de onde a NTN-B está hoje.
“O nível é interessante”, admite Rocha, que aponta os gatilhos para a virada: um governo reformista ou o debate sobre a meta de inflação. Ainda assim, prefere a Bolsa.
Substitutos da renda fixa na Bolsa
Papéis de infraestrutura e energia elétrica funcionam como substitutos de renda fixa ligados ao IPCA. Sobre, por exemplo, a AXIA Energia (AXIA3), não disfarça: “Eu estou lotado.”
Nos últimos anos, lembra Rocha, o setor elétrico rendeu bem mais que o CDI, que por sua vez superou a NTN-B. Daí a preferência por comprar as empresas em vez do título público.
Bancos e Minha Casa Minha Vida
Os bancos completam a lista, favorecidos pelo juro alto. O terceiro nome é o Minha Casa Minha Vida: embora o juro alto costume atrapalhar as construtoras, o programa é anticíclico. Para a gestora, virou “programa de Estado” — trocou de nome, já foi Casa Verde e Amarela, mas seguiu firme.
Assim, os favoritos da Dahlia na Bolsa são três: energia elétrica, bancos e as construtoras do programa habitacional.



