Taxa em Hormuz seria fundamentalmente errada, diz Hapag-Lloyd
Taxa em Hormuz seria fundamentalmente errada, diz Hapag

O CEO da Hapag-Lloyd, Rolf Habben Jansen, classificou como 'fundamentalmente errada' a proposta de impor uma taxa sobre cargas que transitam pelo Estreito de Hormuz. Durante entrevista à agência Reuters, o executivo alertou que a medida poderia distorcer o comércio global e elevar custos para consumidores finais.

Proposta gera controvérsia no setor naval

A taxa, sugerida por alguns países do Golfo Pérsico, visa compensar os custos de segurança e infraestrutura na região, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. No entanto, Habben Jansen argumenta que a cobrança seria 'um imposto sobre o comércio' e prejudicaria especialmente economias emergentes dependentes de importações de petróleo.

'Se você coloca uma taxa em uma rota marítima crucial, isso não afeta apenas as empresas de navegação, mas toda a cadeia de suprimentos', afirmou o CEO. A Hapag-Lloyd, uma das maiores companhias de transporte de contêineres do mundo, opera regularmente na região.

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Impactos no comércio global e nos custos

Segundo dados da Agência Internacional de Energia, o Estreito de Hormuz movimenta diariamente cerca de 17 milhões de barris de petróleo. A imposição de uma taxa poderia aumentar o frete em até 15%, estimam analistas. Habben Jansen destacou que a medida seria 'contraproducente' em um momento de tensões geopolíticas e volatilidade nos preços de energia.

O executivo também mencionou que a Hapag-Lloyd tem buscado rotas alternativas, mas reconhece que não há substituto viável para o estreito no curto prazo. 'Estamos monitorando a situação de perto, mas qualquer desvio aumentaria significativamente o tempo de viagem e os custos operacionais', explicou.

Reações do setor e próximos passos

A proposta ainda está em fase de discussão entre os países do Conselho de Cooperação do Golfo. Representantes do setor naval, incluindo a Associação Internacional de Armadores, manifestaram oposição, argumentando que a taxa violaria acordos de livre comércio. A Hapag-Lloyd planeja participar de consultas públicas sobre o tema nos próximos meses.

Habben Jansen concluiu que a empresa continuará defendendo a liberdade de navegação e a não imposição de barreiras comerciais. 'Precisamos de soluções que promovam a segurança sem prejudicar o comércio global', afirmou.

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