Os dados operacionais do segundo trimestre de 2026 (2T26) reforçaram o bom momento das incorporadoras, mas também evidenciaram desafios distintos para Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3). Na visão dos analistas, a Cyrela segue entregando uma combinação mais equilibrada entre crescimento, qualidade operacional e potencial de valorização das ações, enquanto a Eztec continua em trajetória de recuperação, embora ainda enfrente preocupações relacionadas ao estoque e aos distratos. Por volta das 10h22, CYRE3 operava com baixa de 0,18%, a R$ 22,40, enquanto EZTC3 recuava 3,38%, a R$ 12,58.
Cyrela: lançamentos fortes e vendas acima das expectativas
O JPMorgan avaliou que os lançamentos da Cyrela foram fortes, totalizando R$ 3,92 bilhões, valor 22% acima das suas estimativas e 30% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. As vendas líquidas contratadas (considerando a participação da companhia) atingiram R$ 2,64 bilhões, ficando 6% acima das projeções do banco e registrando crescimento de 11% na comparação anual. O JPMorgan manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 29,50.
Em relatório assinado pelos analistas Bruno Mendonça e Wellington Lourenço, o Bradesco BBI considerou os números ligeiramente positivos. “Embora a velocidade de vendas dos lançamentos (VSO) tenha vindo abaixo do esperado, a forte redução do estoque de unidades prontas representa um avanço importante para a companhia e endereça uma das principais preocupações dos investidores nos últimos trimestres”, comenta a dupla. Além disso, segundo o BBI, os indicadores operacionais permanecem resilientes tanto nos segmentos de média e alta renda quanto no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), reforçando a capacidade da empresa de manter um crescimento consistente mesmo em um ambiente de juros elevados. A combinação entre boa execução comercial, melhora na qualidade do estoque e valuation atrativo sustenta a recomendação de compra para a Cyrela, com preço-alvo de R$ 36.
XP e Goldman Sachs: visões divergentes sobre Cyrela
Para a XP Investimentos, os dados operacionais do 2T26 da Cyrela foram neutros, com os fortes lançamentos acima das estimativas sendo compensados por vendas líquidas mais fracas e por um VSO LTM em desaceleração. Embora os lançamentos tenham surpreendido positivamente, as vendas vieram abaixo das previsões dos analistas Ygor Altero e João Rodrigues, e a contínua desaceleração do VSO reforça um ritmo de absorção mais gradual em meio a um ambiente de demanda mais restritivo. Do lado positivo, a equipe da XP aponta que a maior participação das vendas de estoque sustenta o reconhecimento de receita adiante e aponta para uma saudável qualidade de estoque. Entre as faixas de renda, Vivaz e Living (médio padrão) seguiram com desempenho superior em vendas, enquanto o segmento de alto padrão veio praticamente estável. A corretora manteve recomendação de Compra e preço-alvo de R$ 42,00.
Na visão do Goldman Sachs, os números da Cyrela apresentaram aspectos positivos e negativos. De um lado, houve melhora nas dinâmicas dos segmentos de média e baixa renda, que representaram 25% e 39% das vendas, respectivamente. Por outro, o segmento de alta renda, responsável por 36% das vendas, mostrou desempenho mais fraco. Apesar das preocupações de curto prazo, o Goldman Sachs manteve recomendação de compra para as ações da Cyrela, com preço-alvo de R$ 31.
Eztec: prévia mista com recordes, mas distratos preocupam
No caso da Eztec, o Bradesco BBI classificou a prévia como mista. Por um lado, a construtora continua apresentando evolução operacional relevante, com recordes de lançamentos e vendas no acumulado do ano, demonstrando melhora consistente da atividade comercial. Do outro lado, na avaliação do BBI, o aumento dos distratos merece monitoramento, ainda que parte desse movimento possa estar relacionada à conversão mais lenta de vendas previamente registradas, e não necessariamente a uma deterioração da demanda. “Outro fator de atenção é o elevado volume de estoque pronto, que continua representando uma parcela importante dos ativos da companhia”, aponta BBI. Dessa forma, embora reconheça os avanços operacionais recentes, o banco avalia que o valuation atual já incorpora boa parte dessa melhora, justificando uma recomendação neutra para a ação e preço-alvo de R$ 23.
A XP Investimentos, por sua vez, classificou os números como positivos, com lançamentos e vendas líquidas vindo acima das suas estimativas. No entanto, os analistas Ygor Altero e João Rodrigues destacam que os maiores distratos como percentual das vendas brutas, a queda do VSO e um percentual ainda elevado de estoque concluído levantam alguns pontos de atenção para o futuro próximo. Diante disso, a corretora manteve recomendação neutra e preço-alvo de R$ 19.
Goldman Sachs: visão mais negativa para Eztec
De forma geral, o Goldman Sachs considera a prévia mais fraca em relação ao forte desempenho do primeiro trimestre e avalia que o principal ponto a ser monitorado será entender se a desaceleração sequencial da velocidade de vendas reflete um enfraquecimento mais amplo da demanda ou se está relacionada à composição dos projetos lançados no período. O Goldman Sachs reiterou recomendação de venda para Eztec, com preço-alvo de R$ 13.



