Corrida de montanha e mercado: força mental de Cláudia Santaela
Corrida de montanha e mercado: força mental de Cláudia

Cláudia Santaela, assessora de investimentos e Senior Partner da W1 Capital, afirma que a corrida de montanha exige mais preparo mental do que físico. “A corrida de montanha é 70% ou 80% mental”, resume. Essa capacidade de lidar com o desconforto, administrar frustrações e seguir em frente é o que ela procura levar para a vida profissional.

Trajetória de recomeços

A história de Cláudia começou longe do mercado financeiro. Nascida na Zona Leste de São Paulo, filha de um motorista de ônibus e de uma costureira que se tornou mãe aos 15 anos, ela estudou em escola pública e cresceu tendo na mãe seu maior exemplo de perseverança. “Eu gosto de estar na minha zona de desconforto”, diz, atribuindo essa disposição à admiração pela mãe, que desempenhou os papéis de mãe, pai e amiga.

A carreira começou cedo, aos 17 anos, no setor bancário. Ela passou por instituições como Lloyds/Losango, Citi, Itaú e Santander antes de decidir empreender. Comprou um salão de beleza, que administrou por cerca de 10 anos, elevando o faturamento mensal de aproximadamente R$ 22 mil para algo entre R$ 90 mil e R$ 100 mil e expandindo a equipe de quatro para 26 funcionários. Após a pandemia, vendeu o negócio, chegou a comprar um mercado e decidiu retornar ao setor financeiro, desta vez como assessora de investimentos.

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Hoje, Cláudia é Senior Partner da W1 Capital, lidera uma equipe de 13 pessoas, atende clientes em São Paulo, Goiânia e Vitória e responde por uma carteira de cerca de R$ 96 milhões. Somando a atuação da equipe, o volume sob acompanhamento chega a aproximadamente R$ 334 milhões.

Corrida e controle emocional

Mais do que acompanhar investimentos, Cláudia diz que seu trabalho exige compreender os objetivos e as preocupações de cada cliente. Na avaliação dela, a assessoria vai além da recomendação de produtos financeiros e passa pela construção de relações de confiança, especialmente em momentos de maior volatilidade dos mercados. É nesse contexto que o controle emocional, desenvolvido também nas corridas de montanha, ganha importância no dia a dia da profissão.

“A corrida de montanha me silencia. É o momento em que consigo me conectar comigo”, garante Cláudia. “É onde consigo descarregar, recarregar minha energia e voltar para a atividade profissional.” A experiência acumulada nos bancos, somada aos mais de 10 anos como empreendedora, também moldou sua forma de atuar. Depois de retornar ao mercado financeiro em 2023, Cláudia precisou estudar temas que até então desconhecia, como renda fixa, renda variável e mercado de capitais. Reprovada na primeira tentativa da certificação exigida para a carreira, só foi aprovada na terceira prova. Para ela, o episódio reforçou que evolução profissional depende mais da capacidade de persistir do que de acertar de primeira.

Treinar a mente para lidar com desafios

A corrida entrou na rotina de Cláudia como prática esportiva, mas acabou se tornando também uma forma de fortalecer a disciplina e a resiliência. Segundo ela, o principal elo entre as montanhas e a assessoria de investimentos é o autodesafio. “Hoje eu tenho as metas que a empresa traz para mim, mas também tenho as minhas metas pessoais, assim como na corrida”, diz Cláudia. “Eu crio os meus próprios desafios daqui dentro e lá fora. E, com isso, consigo criar uma mentalidade mais forte.”

Mais do que buscar performance, ela afirma que aprendeu a lidar com momentos em que o resultado não aparece. “Na corrida, assim como na nossa atividade profissional, existem momentos em que você não consegue performar. Já chorei durante uma prova por sentir que não estava conseguindo dar o meu melhor”, revela. Para ela, a principal lição é entender que um desempenho abaixo do esperado não define toda uma trajetória — seja no esporte, seja na carreira financeira.

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Correr para pensar melhor

Se há um aspecto que Cláudia destaca repetidamente é o efeito da corrida sobre sua capacidade de tomar decisões. Ela conta que, nos períodos mais difíceis do trabalho, costuma encontrar nas trilhas o espaço necessário para reorganizar as ideias. “Quando o meu trabalho não está bom, é aí que a corrida fica boa. Lá eu limpo minha mente”, afirma. “Minha parte criativa acontece quando estou correndo. Termino o treino e já tenho a solução daquele problema que estava me angustiando.”

A maior prova que Cláudia completou teve 26 quilômetros, cerca de 2.500 metros de ganho de elevação e pouco mais de oito horas de duração. Ainda assim, sua especialidade continua sendo a meia maratona de montanha — prova de 21 quilômetros —, modalidade que considera suficientemente desafiadora para continuar evoluindo. O próximo objetivo é participar de uma expedição na Argentina.

Influência materna

Apesar das mudanças de carreira e dos desafios assumidos ao longo da vida, Cláudia afirma que continua guiada pelo mesmo objetivo: honrar a trajetória da mãe. Ela diz que sempre buscou crescer não apenas como profissional, mas também como pessoa e filha, porque acredita que cada conquista representa uma forma de reconhecer os esforços feitos pela família desde o início. No fim, seja em uma montanha ou no mercado financeiro, Cláudia acredita que o maior desafio está em superar os próprios limites. “Você treina a sua mente a se desafiar todos os dias e a ser alguém melhor”, resume.