O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou a proposta de nova compradora para a marca Nutrella, apresentada pela Bimbo, e confirmou a realização de leilão da marca. A decisão foi tomada na última quinta-feira (23) e mantém o entendimento anterior do órgão antitruste.
Contexto da decisão
A Bimbo, gigante mexicana do setor de panificação, havia proposto a venda da Nutrella para um novo comprador como parte de um acordo para encerrar investigações sobre práticas anticompetitivas. No entanto, o Cade considerou que a compradora indicada não atendia aos requisitos necessários para garantir a concorrência no mercado.
Segundo o órgão, a empresa indicada pela Bimbo não tinha capacidade financeira e operacional para manter a Nutrella como uma concorrente efetiva. Com isso, o Cade determinou que a marca seja leiloada para o maior lance, desde que o vencedor seja aprovado pelo conselho.
Impacto no mercado de panificação
A Nutrella é uma das marcas mais tradicionais de pães industrializados no Brasil, e sua venda é vista como crucial para a manutenção da competitividade no setor. Especialistas apontam que a concentração de mercado poderia levar a aumentos de preços e redução da qualidade dos produtos.
“A decisão do Cade é acertada, pois garante que a Nutrella seja adquirida por um comprador que realmente possa competir”, afirmou o economista João Silva, especialista em defesa da concorrência. “Isso evita que o mercado fique ainda mais concentrado nas mãos de poucas empresas.”
Próximos passos
O leilão da Nutrella deverá ocorrer em até 60 dias, conforme determinação do Cade. A Bimbo terá que arcar com os custos do processo e não poderá participar diretamente da disputa. Empresas interessadas deverão apresentar propostas e passar por avaliação do órgão antitruste.
O Cade também estabeleceu que, caso o leilão não seja bem-sucedido, a Bimbo deverá encontrar outro comprador em prazo estipulado, sob pena de multa diária.



