A decisão do governo federal, nesta terça-feira (23), de renovar por mais seis meses a cota de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD) reacendeu a disputa entre a BYD e a indústria automotiva instalada no Brasil.
Medida da Camex libera até US$ 463 milhões em importações
A medida, aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), libera até US$ 463 milhões em importações nessa modalidade e foi recebida com críticas pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e por entidades do setor de autopeças.
Para a BYD, a renovação das cotas faz parte do processo de transição até que a fábrica de Camaçari (BA) amplie gradualmente o conteúdo nacional dos veículos produzidos no Brasil. Já as montadoras tradicionais afirmam que a medida reduz os incentivos à produção local e coloca em risco investimentos bilionários anunciados para o País.
Estoque elevado do BYD King levanta questionamentos
Mas um dado obtido pelo Jornal do Carro ajuda a dimensionar outro aspecto da discussão. Apesar da pressão da montadora chinesa pela renovação do benefício, a empresa ainda mantém volumes expressivos de veículos importados em estoque no mercado brasileiro.
Segundo fontes ligadas à operação da marca, há cerca de 6 mil unidades do sedã híbrido BYD King GL (versão de entrada destinada apenas a vendas diretas) disponíveis nos pátios da fabricante, somando veículos dos anos-modelo 2025 e 2026. A situação chama atenção porque o modelo vem recebendo sucessivas campanhas comerciais nos últimos meses para acelerar o giro dos estoques.
Questionada sobre o volume alto, a BYD respondeu que o estoque está dentro da normalidade e a marca está em sintonia com o que é praticado pelo mercado.
Estoque equivale a cinco meses de vendas do sedã
De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a BYD emplacou 6.555 unidades do King de janeiro a maio, ou seja, no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, sem necessariamente especificar a versão. Assim, com essa quantidade de veículos em estoque, seria possível suprir ao menos cinco meses de vendas do sedã.
As mesmas fontes afirmam que a empresa ainda possui uma quantidade considerada relevante de unidades do BYD Dolphin ano-modelo 2025, mesmo após uma série de promoções e incentivos oferecidos pela rede de concessionárias ao longo do primeiro semestre.
Indústria questiona necessidade de ampliar importações
Os números ajudam a explicar parte da preocupação manifestada por concorrentes da fabricante chinesa. Nos bastidores, representantes da indústria questionam a necessidade de ampliar a entrada de novos veículos ou conjuntos importados em um momento em que a própria BYD ainda trabalha para reduzir estoques acumulados de alguns de seus principais produtos.
Apesar disso, a marca continua ampliando seu portfólio no Brasil. O exemplo mais recente é o BYD Atto 8 (R$ 399.990), lançado há poucas semanas e que já ultrapassou a marca de 500 emplacamentos, indicando que os modelos mais novos da fabricante seguem encontrando boa receptividade no mercado brasileiro.



