A gestão de riscos psicossociais ganha protagonismo na agenda ESG das empresas brasileiras. Pesquisa do Instituto Livre de Assédio e da AAPSA mostra que 74% das organizações ainda estão abaixo do nível considerado robusto nessa área. Com a NR-1 e o aumento dos afastamentos por transtornos mentais, temas como assédio, discriminação, saúde mental e segurança psicológica passam a integrar estratégias de governança e sustentabilidade.
Pesquisa revela baixa maturidade em riscos psicossociais
O levantamento, realizado pelo Instituto Livre de Assédio em parceria com a AAPSA, avaliou a maturidade das empresas brasileiras na gestão de riscos psicossociais. De acordo com os dados, 74% das organizações estão abaixo do nível robusto, indicando que a maioria ainda precisa avançar significativamente nesse tema. Apenas 26% atingiram um patamar considerado adequado.
NR-1 e afastamentos por transtornos mentais impulsionam mudanças
A Norma Regulamentadora 1 (NR-1), atualizada recentemente, passou a exigir que as empresas incluam riscos psicossociais em seus programas de gerenciamento de riscos ocupacionais. Paralelamente, os afastamentos por transtornos mentais têm crescido no Brasil, pressionando as organizações a adotarem medidas preventivas. Dados do INSS mostram aumento significativo nos afastamentos por depressão, ansiedade e burnout nos últimos anos.
ESG incorpora saúde mental e segurança psicológica
A agenda ESG, que tradicionalmente focava em aspectos ambientais e de governança, agora incorpora de forma mais clara o pilar social com ênfase em saúde mental e segurança psicológica. Empresas que negligenciam esses riscos podem enfrentar danos à reputação, perda de talentos e passivos trabalhistas. Especialistas apontam que a integração desses temas é essencial para a sustentabilidade dos negócios.
“A gestão de riscos psicossociais deixou de ser um tema periférico para se tornar central na estratégia de governança corporativa. As empresas que não se adequarem correm o risco de ficar para trás”, afirma o diretor do Instituto Livre de Assédio.
Desafios e oportunidades para as organizações
Implementar políticas eficazes de prevenção ao assédio e promoção da saúde mental requer investimento em treinamento, canais de denúncia confiáveis e uma cultura organizacional que valorize o bem-estar. A pesquisa indica que as empresas com melhores práticas nessa área também apresentam maior engajamento dos funcionários e menor rotatividade. A tendência é que a pressão por transparência e responsabilidade social continue aumentando, tornando a gestão de riscos psicossociais um diferencial competitivo.



