A aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de cinco novas canetas de semaglutida representa um marco estratégico para a Hypera (HYPE3), que agora oficialmente integra o mercado de medicamentos à base de GLP-1, classe que inclui Ozempic e Wegovy, usados no tratamento de diabetes tipo 2 e amplamente conhecidos pelo uso off-label contra a obesidade.
Produtos aprovados e estratégia comercial
A companhia recebeu autorização para dois produtos principais: o Zempneo, registrado por meio da Brainfarma, e o Semavy, pela Cosmed. Além disso, outros registros ligados à parceira Sun Pharma e à Sandoz (caneta Owozy) também foram aprovados. Para analistas, o Semavy será o foco da estratégia comercial do grupo. Segundo o Itaú BBA, a aprovação remove a principal incerteza regulatória para a entrada da Hypera nesse mercado.
O banco destaca que a Hypera reúne vantagens competitivas relevantes, como distribuição nacional, relacionamento consolidado com farmácias e médicos e forte presença comercial. Esses fatores podem ajudá-la a conquistar participação de mercado mesmo com a concorrência de outros fabricantes. O Morgan Stanley avalia que o evento confirma uma das principais teses de crescimento da companhia para os próximos anos. Na visão do banco, a Hypera deve concentrar sua comercialização no Semavy, enquanto os demais registros terão papel secundário.
Próximas etapas antes do lançamento
Apesar da aprovação, ainda faltam etapas antes da chegada do produto às farmácias. O próximo passo será a definição de preços pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), seguida por processos de importação, controle de qualidade e distribuição. O Itaú BBA estima que o Semavy possa chegar às farmácias brasileiras em até dois meses.
A aprovação da Owozy, ligada à Sandoz, confirma a existência de concorrência adicional no mercado brasileiro de semaglutida. Isso reforça a necessidade de a Hypera executar bem sua estratégia comercial para ganhar participação.
Projeções financeiras bilionárias
Os analistas do Morgan Stanley já incluíam a entrada da Hypera no mercado de semaglutida em seu cenário-base, mas acreditam que a aprovação levará o restante do mercado a revisar projeções para cima. O banco projeta que o produto gere R$ 109 milhões de receita líquida em 2026, acrescentando cerca de 1,4 ponto percentual ao crescimento consolidado da companhia. Para os anos seguintes, as estimativas são mais robustas: R$ 330 milhões em 2027, R$ 624 milhões em 2028 e R$ 1,17 bilhão em 2029 provenientes da semaglutida.
O crescimento seria impulsionado principalmente pela expansão do volume vendido e pelo ganho de participação de mercado após o vencimento de patentes das marcas originais (Ozempic e Wegovy). O Morgan Stanley estima que a participação da Hypera no mercado de semaglutida alcance 10% no fim de 2027, suba para 11% em 2028 e se estabilize próxima de 12% nos anos seguintes.
Revisão de estimativas e potencial de valorização
Outro ponto destacado é que boa parte dos analistas ainda parece não incorporar contribuição relevante da semaglutida em seus modelos. Para o Morgan Stanley, isso cria espaço para revisões positivas de receita, Ebitda e lucro nos próximos meses agora que a aprovação regulatória foi confirmada. Já o Itaú BBA afirma que suas projeções atuais para a Hypera consideram uma contribuição limitada da semaglutida, razão pela qual a aprovação é vista como um fator incrementalmente positivo para a tese de investimento. Segundo o banco, o potencial de geração de valor dependerá da política de preços, do cronograma de lançamento e da velocidade de ganho de participação de mercado.
Tanto Itaú BBA quanto Morgan Stanley mantêm recomendação equivalente à compra para os papéis da Hypera – outperform (desempenho acima da média) e overweight (exposição acima da média), respectivamente – com preço-alvo de R$ 32, o que implica potencial de valorização expressivo de 49% frente ao fechamento de R$ 21,44 registrado na véspera.



