Anvisa aprova canetas de semaglutida da Hypera; receita pode chegar a R$ 1,17 bi em 2029
Anvisa aprova canetas de semaglutida da Hypera; projeção de receita de R$ 1,17 bi

A aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de cinco novas canetas de semaglutida representa um marco estratégico para a Hypera (HYPE3), que agora oficialmente integra o mercado de medicamentos à base de GLP-1, classe que inclui Ozempic e Wegovy, usados no tratamento de diabetes tipo 2 e amplamente conhecidos pelo uso off-label contra a obesidade.

Produtos aprovados e estratégia comercial

A companhia recebeu autorização para dois produtos principais: o Zempneo, registrado por meio da Brainfarma, e o Semavy, pela Cosmed. Além disso, outros registros ligados à parceira Sun Pharma e à Sandoz (caneta Owozy) também foram aprovados. Para analistas, o Semavy será o foco da estratégia comercial do grupo. Segundo o Itaú BBA, a aprovação remove a principal incerteza regulatória para a entrada da Hypera nesse mercado.

O banco destaca que a Hypera reúne vantagens competitivas relevantes, como distribuição nacional, relacionamento consolidado com farmácias e médicos e forte presença comercial. Esses fatores podem ajudá-la a conquistar participação de mercado mesmo com a concorrência de outros fabricantes. O Morgan Stanley avalia que o evento confirma uma das principais teses de crescimento da companhia para os próximos anos. Na visão do banco, a Hypera deve concentrar sua comercialização no Semavy, enquanto os demais registros terão papel secundário.

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Próximas etapas antes do lançamento

Apesar da aprovação, ainda faltam etapas antes da chegada do produto às farmácias. O próximo passo será a definição de preços pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), seguida por processos de importação, controle de qualidade e distribuição. O Itaú BBA estima que o Semavy possa chegar às farmácias brasileiras em até dois meses.

A aprovação da Owozy, ligada à Sandoz, confirma a existência de concorrência adicional no mercado brasileiro de semaglutida. Isso reforça a necessidade de a Hypera executar bem sua estratégia comercial para ganhar participação.

Projeções financeiras bilionárias

Os analistas do Morgan Stanley já incluíam a entrada da Hypera no mercado de semaglutida em seu cenário-base, mas acreditam que a aprovação levará o restante do mercado a revisar projeções para cima. O banco projeta que o produto gere R$ 109 milhões de receita líquida em 2026, acrescentando cerca de 1,4 ponto percentual ao crescimento consolidado da companhia. Para os anos seguintes, as estimativas são mais robustas: R$ 330 milhões em 2027, R$ 624 milhões em 2028 e R$ 1,17 bilhão em 2029 provenientes da semaglutida.

O crescimento seria impulsionado principalmente pela expansão do volume vendido e pelo ganho de participação de mercado após o vencimento de patentes das marcas originais (Ozempic e Wegovy). O Morgan Stanley estima que a participação da Hypera no mercado de semaglutida alcance 10% no fim de 2027, suba para 11% em 2028 e se estabilize próxima de 12% nos anos seguintes.

Revisão de estimativas e potencial de valorização

Outro ponto destacado é que boa parte dos analistas ainda parece não incorporar contribuição relevante da semaglutida em seus modelos. Para o Morgan Stanley, isso cria espaço para revisões positivas de receita, Ebitda e lucro nos próximos meses agora que a aprovação regulatória foi confirmada. Já o Itaú BBA afirma que suas projeções atuais para a Hypera consideram uma contribuição limitada da semaglutida, razão pela qual a aprovação é vista como um fator incrementalmente positivo para a tese de investimento. Segundo o banco, o potencial de geração de valor dependerá da política de preços, do cronograma de lançamento e da velocidade de ganho de participação de mercado.

Tanto Itaú BBA quanto Morgan Stanley mantêm recomendação equivalente à compra para os papéis da Hypera – outperform (desempenho acima da média) e overweight (exposição acima da média), respectivamente – com preço-alvo de R$ 32, o que implica potencial de valorização expressivo de 49% frente ao fechamento de R$ 21,44 registrado na véspera.

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