Anvisa aprova cinco novas canetas de semaglutida, princípio ativo do Ozempic
Anvisa aprova 5 novas canetas de semaglutida

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de cinco novas canetas injetáveis contendo semaglutida, o mesmo princípio ativo do medicamento Ozempic (da Novo Nordisk) e do Wegovy. As aprovações, publicadas no Diário Oficial da União em 29 de julho de 2026, representam um marco na ampliação do acesso a tratamentos baseados em análogos do GLP-1 para diabetes tipo 2 e obesidade no país.

Detalhes das aprovações

As cinco novas canetas foram registradas por diferentes fabricantes, todos nacionais ou com parcerias locais. Segundo a Anvisa, as apresentações aprovadas incluem dosagens variadas, desde 0,5 mg até 2,0 mg por aplicação semanal, permitindo maior flexibilidade na prescrição médica. Entre os laboratórios beneficiados estão a EMS, a Hypera Pharma e a Biolab, que já possuem capacidade de produção instalada no Brasil.

De acordo com o informe técnico da agência reguladora, os estudos de bioequivalência e segurança foram considerados satisfatórios, comprovando que os novos produtos têm perfil de eficácia e segurança similar ao do Ozempic original. “A entrada de mais concorrentes no mercado tende a reduzir os preços e facilitar o acesso dos pacientes a essa terapia inovadora”, afirmou o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, durante coletiva de imprensa.

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Impacto no mercado e na saúde pública

Com a aprovação, o Brasil passa a contar com pelo menos oito marcas de semaglutida disponíveis comercialmente. Até então, apenas a Novo Nordisk comercializava o princípio ativo no país com as marcas Ozempic (para diabetes) e Wegovy (para obesidade). Estima-se que cerca de 16 milhões de brasileiros adultos convivam com diabetes tipo 2, e aproximadamente 41% da população adulta tenha obesidade, segundo dados do Ministério da Saúde de 2025. A ampliação da oferta de semaglutida pode beneficiar diretamente milhões de pessoas que enfrentam dificuldades financeiras para adquirir os medicamentos originais, cujo custo mensal pode ultrapassar R$ 1.200.

A Associação Brasileira de Diabetes (ABD) celebrou a decisão. “É uma notícia excelente para os pacientes. A semaglutida é um dos fármacos mais eficazes para controle glicêmico e perda de peso, mas o alto preço sempre foi uma barreira. Com mais opções, esperamos que os planos de saúde e o SUS possam incorporar o medicamento de forma mais ampla”, declarou o presidente da ABD, Dr. Rodrigo Lamounier.

Produção local e investimentos

As empresas que receberam os registros já anunciaram planos de produção local. A EMS, maior laboratório farmacêutico do Brasil, informou que investirá R$ 250 milhões em sua fábrica em São Paulo para aumentar a capacidade de fabricação de canetas injetáveis. A Hypera Pharma, por sua vez, afirmou que a produção será realizada em sua unidade de Anápolis (GO), gerando cerca de 300 empregos diretos. A Biolab também confirmou que iniciará a distribuição das canetas em até 60 dias.

Desafios regulatórios e de prescrição

Apesar do avanço, a Anvisa destacou que a automedicação e o uso indiscriminado de semaglutida para emagrecimento são preocupações. “A semaglutida é um medicamento de uso contínuo, sujeito a prescrição médica, e não deve ser utilizado por pessoas sem indicação clínica”, reforçou o diretor da agência. A entidade também alertou para a necessidade de monitoramento de eventos adversos, como problemas gastrointestinais, que são comuns com essa classe de fármacos.

Perspectivas futuras

Especialistas projetam que a concorrência deve reduzir os preços em até 40% nos próximos dois anos. Além disso, a aprovação de novas canetas pode pressionar a Novo Nordisk a rever sua política de preços no Brasil. O mercado global de análogos do GLP-1 movimentou US$ 38 bilhões em 2025, com expectativa de crescimento superior a 15% ao ano até 2030. O Brasil, como um dos maiores mercados farmacêuticos do mundo, torna-se alvo estratégico para os fabricantes.

Em nota, a Novo Nordisk afirmou que “saúda a concorrência leal e acredita que a inovação contínua é o melhor caminho para atender os pacientes”. A empresa também informa que mantém investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novas formulações de semaglutida, inclusive em versões orais.

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Conclusão

A aprovação das cinco novas canetas de semaglutida pela Anvisa representa um passo importante para a democratização do acesso a tratamentos de alto custo no Brasil. Com potencial de reduzir preços, ampliar a oferta e estimular a produção local, a medida deve impactar positivamente a vida de milhões de pacientes com diabetes e obesidade, além de fomentar a indústria farmacêutica nacional.