A gigante mineradora Rio Tinto anunciou que não pretende realizar investimentos nos Estados Unidos com o objetivo exclusivo de obter descontos tarifários. A declaração foi feita pelo CEO da empresa, Jakob Stausholm, durante uma conferência com investidores nesta quarta-feira.
Estratégia global da empresa
Segundo Stausholm, a empresa está focada em regiões com maior potencial de crescimento e sinergia operacional. "Não vamos tomar decisões de alocação de capital baseadas apenas em incentivos tarifários de curto prazo", afirmou o executivo. A Rio Tinto avalia que os Estados Unidos oferecem oportunidades, mas não justificam desvio de sua estratégia de longo prazo.
A mineradora possui operações em mais de 35 países, com destaque para Austrália, Canadá e Brasil. Recentemente, a empresa anunciou investimentos de US$ 3,2 bilhões em projetos de cobre no Chile e na Mongólia.
Impacto no mercado
A decisão da Rio Tinto ocorre em um momento em que o governo americano estuda reduzir tarifas de importação para minerais críticos, como lítio e terras raras. Especialistas acreditam que outras empresas podem aproveitar os incentivos.
"A posição da Rio Tinto é compreensível, pois eles têm uma visão de longo prazo. No entanto, isso pode abrir espaço para concorrentes como a BHP e a Vale", disse Carlos Mendes, analista do banco Credit Suisse. A Vale, por sua vez, já sinalizou interesse em ampliar investimentos nos EUA.
Números e perspectivas
No primeiro semestre de 2026, a Rio Tinto registrou lucro líquido de US$ 8,5 bilhões, alta de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa projeta investimentos totais de US$ 12 bilhões em 2026, mas apenas 8% desse montante será destinado aos Estados Unidos.
"Nossa prioridade é maximizar retornos para os acionistas, e isso significa alocar capital onde temos vantagens competitivas", completou Stausholm. A declaração reforça a estratégia da mineradora de focar em projetos com maior valor agregado.



