A mineradora chilena Antofagasta reportou uma queda de 8% na produção de cobre no segundo trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 140 mil toneladas. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetava cerca de 150 mil toneladas, acendendo um alerta sobre a oferta global do metal.
Fatores que impactaram a produção
Segundo a empresa, a redução foi motivada principalmente pelo menor teor de minério processado em suas minas, especialmente em Los Pelambres, e por paradas programadas para manutenção em Centinela. A Antofagasta também enfrentou desafios operacionais relacionados a condições climáticas adversas no norte do Chile.
Em comunicado, o CEO da Antofagasta, Iván Arriagada, afirmou: "Os resultados do segundo trimestre refletem as dificuldades operacionais esperadas, mas estamos confiantes de que a produção se recuperará no segundo semestre, com a conclusão das manutenções e a melhora dos teores."
Impacto no mercado global de cobre
A queda na produção da Antofagasta ocorre em um momento de aperto no mercado de cobre, com estoques globais em níveis baixos e demanda aquecida por conta da transição energética e da eletrificação. Analistas do setor alertam que a redução pode pressionar ainda mais os preços do metal, que já operam próximos a máximas históricas.
A mineradora manteve sua projeção de produção anual para 2026 entre 660 mil e 680 mil toneladas, mas reconheceu que o cumprimento da meta depende de uma recuperação robusta no segundo semestre. O mercado reagiu negativamente, com as ações da Antofagasta caindo 3,5% na Bolsa de Londres nesta quarta-feira.
Desempenho operacional detalhado
Na mina Los Pelambres, a produção caiu 12% no trimestre, para 72 mil toneladas, devido ao menor teor e à parada para manutenção do moinho SAG. Em Centinela, a produção foi de 45 mil toneladas, uma queda de 5% na comparação anual, impactada por paralisações não programadas. Já Zaldívar, operada em joint venture, registrou produção estável de 23 mil toneladas.
A Antofagasta informou que os custos de produção subiram 4% no trimestre, para US$ 1,45 por libra, pressionados pela menor produção e pelo aumento nos custos de insumos como energia e reagentes químicos.
Perspectivas para o setor
Especialistas consultados pelo Valor destacam que a retração da Antofagasta não é um caso isolado, mas reflete desafios estruturais da indústria, como a queda dos teores de minério e a necessidade de investimentos em novas minas. A consultoria CRU Group estima que o mercado de cobre terá um déficit de 200 mil toneladas em 2026, o que deve sustentar os preços em patamares elevados.
"A recuperação da produção da Antofagasta no segundo semestre será crucial para aliviar as tensões no mercado, mas não será suficiente para eliminar o déficit global", afirmou o analista da CRU, Carlos Risopatron.



