O volume de serviços no Brasil registrou queda de 0,4% em maio na comparação com abril, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado interrompeu uma sequência de dois meses de alta, quando o setor acumulou ganho de 1,2% em março e abril.
Setores que puxaram a queda
Dois dos cinco segmentos pesquisados pelo IBGE apresentaram recuo em maio. O principal impacto negativo veio dos serviços de transportes, que caíram 1,1% no mês. Esse segmento inclui transporte rodoviário de cargas, transporte aéreo e serviços auxiliares aos transportes. Os serviços prestados às famílias também recuaram, com queda de 0,8%, influenciados por serviços de alimentação e hospedagem.
Por outro lado, os serviços de informação e comunicação avançaram 0,5%, enquanto os serviços profissionais, administrativos e complementares subiram 0,3%. O segmento de outros serviços ficou estável.
Comparação com maio de 2025
Na comparação com maio de 2025, o volume de serviços cresceu 2,1%, acumulando alta de 2,5% no ano. Nos 12 meses encerrados em maio, a expansão foi de 2,8%. Segundo o IBGE, o setor de serviços opera 4,2% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020) e 11,8% abaixo do ponto mais alto da série histórica, registrado em novembro de 2014.
Impacto econômico
A queda mensal dos serviços reforça a percepção de desaceleração da economia brasileira no segundo trimestre. O setor de serviços é o que mais contribui para o Produto Interno Bruto (PIB) do país, respondendo por cerca de 70% da atividade econômica. Para o coordenador de Pesquisas do IBGE, Rodrigo Lobo, o resultado de maio reflete uma acomodação após dois meses de crescimento. "Houve uma perda de fôlego em maio, especialmente nos transportes, que vinham crescendo de forma consistente", afirmou.
Perspectivas
Analistas do mercado financeiro projetam que o PIB do segundo trimestre deve mostrar crescimento menor do que o observado no primeiro trimestre, quando a economia avançou 0,8% ante o trimestre anterior. A expectativa é de que os juros elevados e a inflação ainda pressionada limitem o consumo de serviços nos próximos meses. O Banco Central mantém a taxa Selic em 13,75% ao ano, o que encarece o crédito e reduz o poder de compra das famílias.



