Credores da Fictor, empresa de recuperação judicial, estão revoltados com o casamento ostentação de um dos ex-sócios, que gastou cerca de R$ 2 milhões em uma festa com shows de Mumuzinho e Suel. O evento, realizado no último sábado, gerou indignação entre aqueles que aguardam o pagamento de dívidas da companhia.
Festa de luxo em meio a dívidas
A celebração ocorreu em um salão de festas de alto padrão na zona sul de São Paulo, com decoração temática, buffet sofisticado e apresentações musicais. De acordo com informações do colunista Leo Dias, o ex-sócio, que não teve o nome revelado, teria desembolsado R$ 2 milhões para a festa, valor que poderia ser usado para quitar parte das dívidas com os credores.
Um dos credores, que preferiu não se identificar, afirmou: "É revoltante ver que ele gasta milhões em uma festa enquanto nós, que confiamos na empresa, estamos há meses sem receber. Parece que o dinheiro que deveria ser usado para pagar as dívidas está sendo desviado para luxo pessoal."
Recuperação judicial e cobranças
A Fictor entrou com pedido de recuperação judicial em 2024, após acumular dívidas estimadas em R$ 500 milhões. A empresa, que atua no setor de factoring, tem centenas de credores, incluindo pequenos empresários e investidores. Desde então, os pagamentos foram suspensos, e os credores aguardam a aprovação de um plano de recuperação.
O ex-sócio, que se desligou da empresa após o pedido de recuperação judicial, nega qualquer irregularidade. Em nota, ele afirmou que o casamento foi financiado com recursos próprios, obtidos antes de sua saída da Fictor, e que não há qualquer relação com as dívidas da empresa. "Sempre agi dentro da lei e não há qualquer desvio de recursos. O evento foi pago com meu patrimônio pessoal", declarou.
Reação dos credores e possíveis medidas
Os credores, no entanto, não se convenceram. Um grupo de afetados está organizando uma ação coletiva para investigar a origem dos recursos usados no casamento. Eles suspeitam que o dinheiro possa ter sido retirado da Fictor antes do pedido de recuperação judicial, caracterizando fraude.
"Vamos pedir a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-sócio para verificar se houve desvio de recursos. Se comprovado, ele pode responder por crime contra a economia popular", disse o advogado dos credores, Dr. Carlos Mendes.
A Justiça de São Paulo já foi acionada para analisar o caso. O juiz responsável pela recuperação judicial da Fictor determinou a abertura de uma investigação preliminar para apurar possíveis irregularidades.
Impacto no mercado e na confiança dos investidores
Especialistas apontam que casos como esse abalam a confiança no mercado de factoring e na recuperação judicial. "Quando um ex-sócio ostenta luxo enquanto a empresa deve milhões, isso gera desconfiança no sistema. Os credores se sentem traídos e podem buscar alternativas mais seguras para investir", comentou o economista Roberto Almeida.
A Fictor, por sua vez, informou que está colaborando com as investigações e que o ex-sócio não faz mais parte do quadro societário. A empresa reforçou que o plano de recuperação judicial está em andamento e que espera regularizar os pagamentos em breve.



