Ambev se prepara para El Niño intenso e impactos na demanda de cerveja
Ambev se prepara para El Niño intenso na América Latina

A Ambev (ABEV3) deve se preparar para diferentes cenários climáticos para ter mais resiliência nos próximos trimestres, em meio às expectativas de meteorologistas de que a América Latina passará no final deste ano por um dos El Niños mais intensos desde 1950. O alerta foi feito pelo presidente-executivo da maior cervejaria da América Latina, Carlos Lisboa, durante teleconferência com analistas após a divulgação dos resultados do segundo trimestre.

Impacto do El Niño na demanda por cerveja

Lisboa afirmou que o ano de 2024 ilustrou que temperaturas mais altas podem influenciar a demanda. “Mas esses efeitos são imprevisíveis… O que podemos fazer é nos prepararmos para enfrentarmos diferentes cenários climáticos”, disse o executivo. Dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM) indicam que 2024 foi um dos anos mais quentes da história e marcado por um intenso fenômeno El Niño.

O economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Máximo Torero, afirmou à Reuters que a América Latina deve enfrentar um grave fenômeno de El Niño entre outubro e dezembro. A previsão acende um alerta para setores dependentes do clima, como o de bebidas.

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Preparação para cenários climáticos adversos

Segundo Lisboa, “não há nenhuma indicação de que ocorrerão temperaturas mais adversas” no segundo semestre para o setor de cerveja ante o mesmo período de 2025, ano em que a Ambev teve queda de 3,3% no volume vendido. A empresa, no entanto, busca estar preparada para variações climáticas extremas, que podem alterar padrões de consumo.

A Ambev já enfrentou desafios relacionados ao clima no passado. Em 2025, volumes caíram 3,3% em meio a condições climáticas adversas. Para 2026, a companhia planeja flexibilidade operacional para responder rapidamente a mudanças na demanda, como ajustes na produção e distribuição.

Resultados financeiros do segundo trimestre

A Ambev divulgou alta de 24,5% no lucro líquido do segundo trimestre sobre o mesmo período de 2025, mas o desempenho veio abaixo das estimativas de analistas consultados pela LSEG. A receita líquida cresceu organicamente 6,1%, para R$ 20,149 bilhões, enquanto o Ebitda também ficou aquém das projeções.

As ações da empresa operavam em queda de 1,6% no início da tarde, enquanto o Ibovespa subia 1,14%. O mercado reagiu negativamente aos números, que frustraram expectativas, apesar do lucro forte impulsionado por efeitos financeiros.

Para analistas, o impacto da Copa do Mundo nas vendas foi menor do que o esperado, e a pressão sobre os custos permanece. A Ambev ainda anunciou R$ 1,1 bilhão em proventos aos acionistas, sinalizando confiança na geração de caixa, mas o foco agora está nos riscos climáticos.

El Niño e a cadeia de suprimentos

O fenômeno El Niño não afeta apenas a demanda, mas também a oferta de insumos, como cevada e lúpulo. A Ambev, contudo, não detalhou impactos específicos na cadeia. A empresa mantém contratos de longo prazo e estoques estratégicos para mitigar riscos.

A intensidade do El Niño previsto para o final de 2026 pode ser comparada aos eventos de 1997-1998 e 2015-2016, que causaram secas e enchentes na América Latina. A Ambev, com operações em vários países, precisa monitorar cada região separadamente.

A diretoria afirma que está investindo em modelos climáticos avançados e em parcerias com institutos de meteorologia para antecipar cenários. A preparação inclui planos de contingência para logística e produção.

Apesar das incertezas, Lisboa destacou que a Ambev possui “balanço sólido e capacidade de adaptação”. A empresa espera que a diversificação geográfica e de portfólio ajude a absorver choques. Enquanto isso, o mercado aguarda os próximos trimestres para avaliar o real impacto do clima.

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