O Programa de Acessibilidade Inclusiva (PAI-Serviço) de Campinas, que oferece transporte gratuito a pessoas com deficiência, registrou um aumento de 22% nas reclamações no primeiro semestre de 2024, segundo levantamento da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec). Moradores denunciam atrasos frequentes, falhas na manutenção da frota e até acidentes, como a queda de uma idosa dentro de uma van.
Acidente expõe riscos
A aposentada Sueli França, de 76 anos, sofreu uma queda dentro de uma van do PAI-Serviço no domingo (26). Segundo a filha, Daniella, o cinto de segurança estava frouxo e não conteve a passageira, que usa cadeira de rodas. "A motorista freou bruscamente e minha mãe, que estava com o cinto muito frouxo, acabou escorregando. A cadeira ficou e ela escorregou por baixo do cinto", relatou Daniella, que já havia registrado queixas anteriores sobre as vans e as dificuldades com as plataformas de acesso.
A Emdec informou que, no caso da idosa, a motorista prestou assistência após a queda, mas a família optou por não aceitar o encaminhamento médico na hora, registrando a reclamação horas depois.
Atrasos comprometem tratamentos
As reclamações acumuladas refletem um problema crônico. Apenas no primeiro semestre de 2024, a Emdec registrou 93 reclamações oficiais, contra 214 em todo o ano de 2023. O principal motivo é a falta de pontualidade. A aposentada Regina Luciano, mãe de um jovem com paralisia cerebral, guarda anotações das vezes em que o filho perdeu sessões de fisioterapia por causa dos atrasos. "Às vezes, a minha filha usa meu carro, eu preciso chamar ela no trabalho para vir. Apelo pelo vizinho, o vizinho pega e leva", contou Regina, que também relatou problemas nas portas das vans.
Explicações da Emdec
O gerente de Controle Operacional da Emdec, José Paiola, apresentou justificativas para os problemas. Segundo ele, os atrasos ocorrem devido a imprevistos no trânsito ou quebra de veículos, agravados pela falta de carros substitutos no horário de pico. A manutenção da frota é intensificada conforme a idade das vans, e os motoristas recebem capacitação técnica da Emdec e das empresas de ônibus para o atendimento ao público com deficiência. Como solução, Paiola afirmou que a nova licitação do transporte de Campinas prevê o aumento da frota de vans para minimizar as falhas operacionais.
Como funciona o serviço
O PAI-Serviço conta com 55 vans adaptadas e atende cerca de 2,6 mil usuários cadastrados, realizando em média 230 viagens diárias. Para utilizar o transporte gratuito, o paciente deve acionar a Emdec via site, aplicativo ou telefone, apresentar laudo médico comprovando a condição clínica, agendar as viagens com antecedência e confirmar o trajeto no dia anterior.
Apesar das queixas, o programa continua sendo essencial para a mobilidade de pessoas com deficiência em Campinas. A expectativa é que as melhorias previstas na licitação reduzam os transtornos enfrentados pelos usuários.



