No dia 30 de julho, antes da abertura do mercado, a Ambev (ABEV3) divulgará seus resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26). O mercado acompanha atentamente, especialmente após o salto de 15,30% das ações registrado no início de maio, quando a companhia apresentou os números do primeiro trimestre (1T26), com destaque para o segmento de cerveja no Brasil. Agora, analistas apontam que as expectativas já estão mais ajustadas para números positivos, mas o espaço para novas surpresas pode ser limitado, dado que o papel já acumula ganhos de cerca de 20% no ano.
Principais estimativas para o 2T26
Os bancos e corretoras projetam mais um trimestre de crescimento de lucro e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), impulsionado principalmente pela divisão de cervejas no Brasil. As estimativas para a receita líquida variam entre R$ 20,4 bilhões e R$ 21,1 bilhões. O Ebitda deve ficar entre R$ 6,3 bilhões e R$ 6,6 bilhões, enquanto o lucro líquido é esperado próximo de R$ 3 bilhões. Instituições como XP, BTG Pactual, Itaú BBA e Bradesco BBI concordam que a operação brasileira continuará sendo o principal motor, beneficiada por uma base de comparação mais fácil após um segundo trimestre de 2025 mais fraco, além de ganhos de participação de mercado frente à Heineken e ao Grupo Petrópolis.
Cerveja Brasil: o grande destaque
A principal discussão do mercado gira em torno da evolução dos volumes de cerveja no Brasil. As projeções das casas variam entre crescimento de 5% e 8% na comparação anual. A XP adota uma visão mais conservadora e espera expansão de 5%, enquanto Bradesco BBI e Itaú BBA projetam alta de 8%. O BTG estima crescimento de 6,7%. Na análise da XP, a retomada é explicada por uma combinação de base comparativa favorável, estratégia comercial mais agressiva, perda de participação da Grupo Petrópolis e reajustes de preços liderados pela Heineken. Contudo, os analistas ressaltam que o clima não ajudou o consumo, com temperaturas abaixo das médias históricas durante o trimestre.
Já o BBI destaca que a Ambev deve apresentar desempenho muito superior ao da indústria de cervejas, cujos volumes seguem pressionados. A corretora estima que os ganhos de participação de mercado ao longo de 2026 continuaram relevantes e contribuíram para o forte desempenho da companhia. O BTG Pactual observa que os investidores podem estar excessivamente focados nos volumes, quando outros fatores têm sido mais importantes para os resultados recentes. Segundo o banco, a Ambev vem surpreendendo positivamente graças ao mix de produtos, reajustes de preços e disciplina de custos. A instituição também vê potencial de alta para a receita por hectolitro, impulsionada pela continuidade dos ganhos no segmento premium.
Copa do Mundo adiciona dinamismo
Um dos diferenciais do trimestre foi a realização da Copa do Mundo, que ocorreu durante o período e adiciona um componente extra às estimativas. O Itaú BBA considera que o segundo trimestre é particularmente importante justamente por causa da dificuldade de mensurar o impacto do evento sobre o consumo. A casa estima crescimento de 8% nos volumes de cerveja no Brasil e avalia que parte desse otimismo já está refletida nas ações, que acumulam valorização de cerca de 35% desde o fim de 2025. O BTG também acredita que o torneio ajudou a impulsionar os volumes do trimestre, principalmente por meio do sell-in aos pontos de venda, mas alerta que o mercado pode estar otimista demais em relação a esse efeito.
Desafios internacionais
Se o Brasil deve entregar o principal destaque positivo, as operações internacionais continuam apresentando desafios. A XP espera um ambiente de consumo ainda pressionado em América Latina Sul (LAS), especialmente na Argentina e na Bolívia, além de recuperação gradual no Canadá. A corretora também vê melhora mais relevante para a divisão de bebidas não alcoólicas apenas na segunda metade do ano. O BBI tem avaliação semelhante e projeta queda de volumes em LAS, CAC e Canadá, embora espere crescimento de Ebitda em algumas dessas operações graças a ganhos operacionais. Já o Itaú BBA destaca a inflação elevada na Argentina, os problemas logísticos na Bolívia e o efeito da desconsolidação das operações em Cuba como os principais obstáculos para o desempenho internacional.
Valuation limita entusiasmo
Apesar da expectativa de mais um trimestre robusto, várias casas avaliam que o mercado já embutiu boa parte dessa melhora no preço das ações. O BBI afirma que o resultado deve confirmar o bom momento operacional da companhia, especialmente em cerveja Brasil, mas mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 15, por ainda enxergar dúvidas sobre a sustentabilidade dos ganhos recentes de participação de mercado. O Itaú BBA também mantém recomendação equivalente a neutra (market perform), com preço-alvo de R$ 17, argumentando que as ações já refletem expectativas mais otimistas para a dinâmica competitiva e os impactos da Copa.
A visão do BTG é mais positiva. O banco tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 20, defendendo que a Ambev voltou a ganhar espaço no mercado brasileiro, recuperou poder de precificação e pode ampliar sua participação na receita da indústria nos próximos anos. Ainda assim, o BTG alerta que o consenso pode estar otimista demais para o trimestre, principalmente em relação aos volumes e às despesas. Para a XP, a companhia deve entregar um segundo trimestre sólido, sustentado pela melhora operacional no Brasil, embora os ventos favoráveis esperados para 2026 tenham sido menos expressivos do que o inicialmente projetado pelo mercado.



