Algoritmos de redes sociais lucram com polêmicas e influenciadores
Algoritmos lucram com polêmicas e influenciadores

Mark Zuckerberg, CEO da Meta, chegou ao Tribunal Superior da Califórnia para o julgamento do Facebook, em fevereiro. Já nos acostumamos a consumir escândalos nas redes sociais como quem acompanha uma série sem fim. Prisões, acusações, ostentação e comportamentos questionáveis surgem diariamente em nossas telas, estimulando engajamento e audiência em uma sociedade cada vez mais dependente dessas plataformas.

Isso não é um efeito colateral desses ambientes, mas sim um produto cultivado por algoritmos que prosperam justamente quando emoções fortes dominam o debate público. Enquanto os verdadeiros responsáveis não forem efetivamente cobrados, continuaremos manipulados por essa sedução digital.

Influenciadores e os verdadeiros protagonistas

Os influenciadores são os personagens visíveis do problema. As "bolas da vez", que explodiram nos feeds na semana passada, mas já perdem força diante dos escarcéus fresquinhos, são Deolane Bezerra, presa por suspeita de ligações com o PCC, e Virgínia Fonseca, que beijou um chimpanzé na boca logo após terminar o namoro com Vini Jr., que costuma ser chamado de macaco por racistas.

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Mas os verdadeiros protagonistas desse fenômeno são os códigos invisíveis que influenciam silenciosamente nossas decisões à nossa revelia. Se um ou outro influenciador fica rico, como as duas acima, essas plataformas se tornaram bilionárias capturando e vendendo a nossa atenção.

A evolução das redes sociais

Nem sempre foi assim. As redes sociais primitivas, como Friendster, MySpace e Orkut (que fez enorme sucesso no Brasil), queriam apenas reunir amigos e pessoas com interesses em comum. Seu mecanismo chega a ser pueril se comparado aos atuais, que transformaram a baixaria em um de seus produtos mais valiosos.

É importante observar que essas plataformas não precisam mandar ninguém agir de forma irresponsável. Basta premiarem consistentemente quem faz isso. A contraposição nefasta é que influenciadores bem-intencionados e cuidadosos, que criam conteúdos positivos, são ignorados pelos algoritmos. Muitos desanimam e desistem de publicar.

O papel dos algoritmos

Chega a ser irônico que, há décadas, empresas de mídia são criticadas por sensacionalismo, imprecisão e parcialidade. Agora, quando algoritmos potencializam tudo isso como infraestrutura, muitos dos que atacam a imprensa por esses comportamentos os aplaudem nos influenciadores.

Até o teórico da comunicação canadense Marshall McLuhan se surpreenderia ao ver como sua tese de que "o meio é a mensagem" se tornaria tão determinante. Se antes os questionamentos recaíam sobre quem controla a informação, hoje eles se concentram em quem controla os critérios que definem o que merece atenção.

O sistema por trás das polêmicas

Virgínias, Deolanes e tantos outros capturam corações e mentes de milhões de pessoas com suas publicações, mas, no final, acabam se tornando peças centrais de um sistema que atende aos objetivos econômicos e políticos dos líderes das redes sociais. Eles são os verdadeiros "donos da bola".

Tratar as bizarrices dos influenciadores como problemas pontuais é confortável para as plataformas. Os usuários precisam se tornar conscientes de que pouco adianta "cancelar" essa ou aquela pessoa, se não discutirem que regra de recomendação e que modelo de negócios das redes sociais precisam ser reescritos.

A necessidade de mudança

Enquanto lidarmos com cada polêmica como um desvio de conduta individual, continuaremos ignorando a estrutura que os recompensa. Naturalmente devemos cobrar mais responsabilidade dos influenciadores, mas apenas isso não mudará nada. A sociedade precisa se organizar para exigir uma atuação responsável para inverter a lógica do espetáculo grotesco online.

Passa da hora de as plataformas ajustarem seus algoritmos para desvalorizar o bizarro e promover publicações equilibradas e propositivas, mas elas não farão isso por iniciativa própria. Sem isso, continuaremos reclamando por respirar a fumaça, enquanto ignoramos o incêndio florestal que a provoca.

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